A pesquisa científica nas universidades brasileiras
Enviada em 10/01/2021
É possível afirmar que o pensamento racional possui raízes nos primórdios da filosofia, a qual teve nomes, como Sócrates, que enalteciam o uso do raciocínio como forma de questionar o mundo e gerar conhecimento. Hodiernamente, verifica-se que essa importante prática de produção intelectual tem como principal representante as pesquisas científicas. No entanto, essas investigações, feitas majoritariamente nas universídades públicas brasileiras, não têm sua relevância reconhecida pela população, fato que favorece uma gestão estatal que prejudica o desenvolvimento científico nacional e promove o retrocesso tecnológico do país.
Em primeiro lugar, observa-se que as pesquisas científicas possuem uma extrema relevância social e tecnológica para o desenvolvimento do país, mas são pouco apoiadas pela sociedade civil. A esse respeito, conforme Immanuel Kant, o homem é afetado pela insociável sociabilidade, ou seja, é a vontade individual dele que permite que ele saia da inação para agir e produzir conhecimento. Nesse sentido, é notável que os pesquisadores incorporam esse comportamento descrito por Kant e atuam gerando soluções criativas úteis a vários campos sociais, o que abrange desde medicamentos a modelos de gestão pública e privada. Entretanto, esse protagonismo é pouco reconhecido socialmente, uma vez que a divulgação científica ao público ainda é fraca, o que favorece a desinformação e a falta de apoio popular à ciência brasileira.
Consequentemente, em uma situação na qual o povo pouco apoia a ciência, o levante de governos que não priorizam o desenvolvimento acadêmico é favorecido, o que possui fortes impactos na autonomia tecnológica nacional. A título de ilustração, cita-se os cortes de verbas para investigações científicas ocorridos na gestão do presidente Michel Temer e, recentemente, os contingenciamentos financeiros às universidades públicas sob o pretexto infundado e pífio de haver “balbúrdia” e indicisplina nesses locais. Com isso, têm-se um contexto que denuncia o descaso estatal com o desenvolvimento do saber científico, o que abre portas para a dependência brasileiras das tecnologias estrangeiras.
Desse modo, urge o Ministério da Educação, junto do Poder Legislativo, atue fomentando a pesquisa científica financeira e midiaticamente. Essa ação deverá ser feita por meio de um projeto de emenda constitucional que institua a obrigatoriedade de investimentos a curto e a longo prazo na área, bem como parcerias com a mídia nacional para potencializar a divulgação científica no meio virtual e televisivo, visto que ela encontra-se limitada às redes de TV universitárias. Com essas medidas, será possível obter uma ciência brasileira forte, aumentar o apoio popular a ela e proporcionar, enfim, o uso efetivo do raciocínio defendido por Sócrates em prol do desenvolvimento social e tecnológico do país.