A pesquisa científica nas universidades brasileiras

Enviada em 11/01/2021

‘‘Construímos muitos muros e poucas pontes’’. A afirmação atribuída ao cientista inglês Isaac Newton simboliza claramente a falta de investimento na pesquisa científica nas universidades brasileiras, haja vista que é justamente a banalização da importância desse setor que ocasiona os recorrentes muros simbolizados pelo sucateamento desse meio essencial para o bem-estar coletivo. Nesse sentido, é inegável que essa situação tem origem na negligência estatal que tangencia a ciência das ações gonernamentais prioritárias. Assim, entre os fatores que aprofundam essa realidade estão a carência infraestrutural e a falta de incentivo à pesquisa por brasileiros.

Constata-se, a princípio, que a carência na estrutura das universidades, aliada à negligência do Estado, enrijece a dificuldade na elaboração de pesquisas científicas nesses âmbitos de ensino. Isso se deve ao fato de que o governo assume uma postura imediatista, a fim de que as grandes obras - como a construção de rodovias - sejam priorizadas em detrimento à pesquisa nacional. Consequentemente, o investimento nas redes de ensino superior ficam à margem pelo fato de que, embasado nesse imaginário assolador, esse âmbito não é essencial para conseguir à adesão popular. Ilustra-se essa situação por meio do quadro de pandemia, causado pelo coronavírus, em que muitos cientistas não conseguem efetivar a sua pesquisa porque o Estado não viabiliza recursos, tangenciando a sua função.

Ademais, é inquestionável que a falta de incentivo à pesquisa por brasileiros, em conjunto a negligência governamental, solidifica a carência do meio científico nas universidades públicas. Isso ocorre, pois o governo eleva a ciência exterior em detrimento à nacional, já que não oferece o mínimo como, por exemplo, a abertura de projetos universitários para novos cientistas, a fim de emancipar essa área. Desse modo, essa incapacidade estatal  vai ao encontro da expressão ‘‘Complexo Vira-Lata’’, criada pelo escritor jornalista Nelson Rodrigues, já que o Brasil tem uma mentalidade deturpada de sua capacidade, investindo recorrentemente  na ciência exterior e, por conseguinte, sucateia a nacional .

Pode-se inferir, portanto, que a dificuldade da realização de pesquisa científica nas universidades brasileiras é fruto da negligência estatal. Para solucionar a problemática, a sociedade civil organizada deve pressionar o governo a atuar por meio do Plano de Incentivo à Pesquisa que irá propor ao Congresso a elaboração de leis que liberem um Fundo Monetário para o setor de pesquisa das universidades, a fim de que tenham infraestrutura e recursos necessários para a conclusão dos projeto. Além disso, O Plano deve, em parceria com o Ministério da Educação, disponibilizar concursos, nas universidades públicas, elaborados pelos profissionais da área, que promovam à adesão dos estudantes na ciência, com o intuito de emancipar essa área e de construir as pontes ditas por Newton.