A pesquisa científica nas universidades brasileiras

Enviada em 11/01/2021

O filme ‘‘A Teoria de Tudo’’, baseado na vida do físico Stephen Hawking, retrata inúmeras barreiras que impedem o pleno exercício da ciência em prol do avanço tecnológico da civilização. Longe das telas, o contexto da obra reflete a condição brasileira de subaproveitamento do conhecimento científico proveniente das universidades públicas. Nesse quesito, a situação das pesquisas acadêmicas no Brasil demonstra tanto a relevância dos estudos científicos na solução de problemas contemporâneos quanto a negligência governamental em fornecer estruturas adequadas às universidades. Dentro desse panorama, é nítido que as instituições urgem por um cenário mais propício à prática da ciência.

Em uma perspectiva centrada na função prática das pesquisas, a conjuntura da pandemia de corona vírus explicita o papel central das análises realizadas pelo ensino superior na busca por tratamentos. Nesse âmbito, o Instituto Butantan, associado à Universidade de São Paulo, criou um dos primeiros imunizantes brasileiros contra o Covid-19, fruto de centenas de pesquisas acadêmicas nacionais e internacionais. Citado esse contexto, a importância das instituições universitárias no avanço de tratamentos de saúde revela a centralidade das pesquisas científicas na evolução da qualidade de vida da população e na superação de impasses cotidianos. Evidencia-se, portanto, que a socidade necessita da ciência, advinda das faculdades, para sua plena evolução.

Para além dessa contestação, o desleixo estatal em prestar o devido apoio às instituições fere o exercícios das pesquisas. Frente à ótica negligente, o Ministério da Educação prevê, para 2021, corte de mais de 1 bilhão de reais no plano de verbas das universidade federais, fato que afetará, intrinsecamente, o funcionamento dos centros de ensino superior. Em relação à diminuição de incentivos, a redução do financiamento freiará os estudos científicos, haja vista que as bolsas estudantis do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) — principais fontes de produção de ciência no Brasil — dependem, diretamente, do investimento governamental.

Diante do exposto, fica evidente a necessidade de medidas para reverter a situação das verbas acadêmicas. Para tanto, o Ministério da Educação deverá investir nos centros de pesquisa universitários, de modo a proporcionar um aumento de 15% no capital fornecido aos núcleos acadêmicos, que será proveniente dos cofres públicos relacionados à educação. Como resultado direto, será possível uma maior atuação das pesquisas científicas na resolução de problemáticas sociais, já que são fundamentais no constante avanço tecnológico. Em análise, somente com investimento e incentivo as barreiras citadas em ‘‘A Teoria de Tudo’’ serão superadas.