A pesquisa científica nas universidades brasileiras
Enviada em 11/01/2021
No preâmbulo da Carta Magna brasileira, definiu-se o Estado Democrático como imprescindível ao exercício da cidadania. Hodiernamente, contudo, a precarização do desenvolvimento científico no meio acadêmico, por exemplo, configura uma realidade à margem da democracia. Nesse viés, a pesquisa científica, nas universidades brasileiras, representa ainda enormes desafios. Pode-se dizer, então, que a tênue ação estatal e o individualismo do empresariado são os principais responsáveis pelo quadro.
Primeiramente ressalta-se a inoperância governamental para combater a escassez de recursos nas instituições de ensino superior. Segundo o pensamento hobbesiano, o Estado é encarregado por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à negligência das autoridades, de acordo com o jornal “O Globo”, o reduzido investimento em extensão e pesquisa, no ano de 2016, provocou o sucateamento laboratorial das universidades federais. Dessa forma, geram-se condições favoráreis à perpetuação do descaso, e os direitos mais básicos positivados em lei, como o direito ao incentivo do progresso da ciência, são ameaçados.
Outrossim, a exclusiva ambição lucrativa é parte elementar do problema. Acerca disso, destaca-se um princípio fundamental da filosofia marxista, do qual se deduz que o bem pessoal, em detrimento do coletivo, ocasiona inúmeros transtornos para uma comunidade. Em análise realizada pela revista “Exame”, verificou-se que o capital privado, destinado à pesquisa científica nas universidades, apresentou queda abrupta nos últimos anos, tendo em vista a volátil rentabilidade do setor. Logo, desrespeita-se, em nome de interesses individuais, importantes conceitos filosóficos, culturalmente consagrados, que equilibram as relações humanas. Dessarte, o bem grupal padece sob o jugo de intenções egoístas.
Portanto, são necessárias medidas capazes de restabelecer a ordem democrática. Cabe ao Governo Federal atuar em favor da população, mediante a gênese de leis que aumentem as verbas destinadas ao fomento da ciência nas universidades, a fim de assegurar o avanço tecnológico e o direito à inovação. Ademais, o corpo social deve pressionar os empreendedores à custearem iniciativas voltadas para o progresso da ciência no âmbito acadêmico, por meio de atos educativos e campanhas de mobilização em praças e locais públicos, com a distribuição de cartilhas informativas e material complementar, no intuito de viabilizar um ambiente justo e próspero. Assim, obter-se-ão os requisitos indispensáveis à restauração da soberania civil.