A pesquisa científica nas universidades brasileiras
Enviada em 12/01/2021
Os filósofos iluministas e criadores da enciclopédia, Diderot e D’Alembert, acreditavam que a melhor maneira de levar o progresso às nações era por meio da propagação do conhecimento científico. No entanto, o que se observa hoje, no Brasil, é justamente o oposto do que pregavam os pensadores, pois a pesquisa científica nas universidades brasileiras é vítima do descaso governamental que causa o comprometimento da busca por conhecimento no país.
Primeiramente, é necessário destacar que a falta de investimentos nas faculdades configura um despreso estatal. Nesse sentido, o incêndio no Museu Nacional ilustra muito bem esse cenário, uma vez que uma ausência de manutenção nos sistemas elétricos da construção originou faíscas que inicia-ram o fogo. Assim, fica nítido o abandono governamental quanto às instalações sediadoras de buscas científicas, já que, por uma falta de verbas, destruiu-se um conhecimento imensurável, que poderia ser obtido a partir da boa conservação e cuidado para com os artefatos históricos e de investimentos nas escolas superiores, algo que, infelizmente, não foi feito. Com isso, é óbvio que o descuido do Estado aniquila conhecimentos científicos.
Consequentemente, há um comprometimento das investigações técnicas nas faculdades do território nacional e uma perda de produção de saber. Segundo o biólogo e divulgador científico Átila Iamarino, o Brasil forma muitos cientistas extremamente capacitados, mas estes não encontram espaço em solo brasileiro para construírem uma carreira próspera e têm de morar em outros países para garantirem um crescimento profissional. Nesse viés, é possível concluir que a nação brasileira perde excelentes profissionais, necessários para o desenvolvimento de observações científicas, devido à ausência de áreas de atuação profissional, principalmente, estudos no ensino superior. Dessa forma, há uma perda de conhecimento, visto que cientistas brasileiros deixam de contribuir com análises no país e passam a atuar em outros lugares, o que defasa, ainda mais, a ciência nacional.
Portanto, é notório a gravidade da questão, o que requer uma intervenção. Logo, o Ministério da Educação, juntamente com o Ministério de Ciência e Tecnologia, deve financiar pesquisas em universi-dades brasileiras, por meio da criação de um programa que aplique 10% dos recolhimentos da União em faculdades. Tal programa deverá destinar, mensalmente, a verba necessária à manutenção de laboratórios e de profissionais de todas as instituições de ensino superior, devendo dividir o dinheiro proporcionalmente à quantidade de estudos em andamento. Isso deve ser feito para que se trate as causas do problema, o que mitigará seus efeitos ao longo do tempo. Sendo assim, se cumprirá o sonho dos filósofos iluministas.