A pesquisa científica nas universidades brasileiras
Enviada em 12/01/2021
Estudos realizados em 2019, acerca da importância das universidades públicas brasileiras, revelam que tais instituições são responsáveis por 95% de toda a produção tecnológica do páis, segundo a Academia Brasileira de Ciências. Contudo, apesar dessa notória importância, a pesquisa científica vem sendo alvo de sucessivas limitações orçamentárias pelo Governo, o que torna fundamental entender a responsabilidade da sociedade para a configuração desse quadro, bem como os impactos econômicos decorrentes dessa prática governamental.
Em primeiro lugar, cabe analisar o papel dos próprios brasileiros para a estruturação de uma gestão governamental que menospreza a pesquisa científica em solo nacional. A respeito disso, Émile Durkheim, sociólogo frânces, define que a sociedade, o que inclui suas instâncias sociais, econômicas e políticas, é produto das consciências individuais, isto é, o que cada pessoa pensa, em um determinado momento e contexto da história, é capaz de moldar os paradigmas vigentes em um território. Nesse viés, infere-se que, uma vez que o Governo de um país é componente da instância política de uma sociedade, logo o vilipêndio da pesquisa acadêmica é fruto de um pensamento que, infelizmente, permeia as mentalidades dos cidadãos brasileiros, tornando-os assim, corresponsáveis pela configuração desse cenário.
Em segundo lugar, é válido ressaltar que a mitigação das verbas destinadas às pesquisas das universidades públicas reforçam a dependência econômica do Brasil perante os países centrais, haja vista a dinâmica socioeconômica estabelecidade pela Nova Divisão Internacional do Trabalho (NDIT). Isso porque, a partir dessa dinâmica, estabelece-se, entre as nações, uma nova relação de dependência econômica, tendo de um lado, as potências centrais, que se encarregam de exportar tecnologia, e do outro lado, os países periféricos, o que inclui o Brasil, que pagam uma espécie de aluguel pela utilização dessas tecnologias. Nesse sentido, cabe destacar que os investimentos em pesquisas científicas representam uma forma do Estado produzir suas próprias tecnologias que, todavia, dado os sucessivos cortes nesse orçamento, tem levado o Brasil a agravar, ainda mais, sua relação de dependência econômica e, por conseguinte, seus gastos com royalties.
Destarte, urge que a comunidade acadêmica, o que inclui alunos, professores e pesquisadores, conscientize a população, por meio de mobilizações nas redes sociais, no intuito de esclarecer a íntima relação entre a pesquisa e a independência tecnológica e econômica do país, de modo a permitir que a sociedade entenda a importância das universidades públicas brasileiras. Dessa forma, espera-se que os paradigmas vigentes no território se transformem, e que as pesquisas recebam seu devido respeito.