A pesquisa científica nas universidades brasileiras

Enviada em 12/01/2021

Capitão América é um super-herói de histórias em quadrinho, resultado de uma linha de pesquisa do Dr. Joseph Reinstein para o melhoramento de soldados com a saúde debilitada por meio de um “soro especial”. A criação de tal soro foi possível apenas depois de anos de buscas e investimentos, gerando inúmeros benefícios para a América. Sob essa lógica de ficção, percebe-se que a realidade tratada no filme não se afasta muito do atual contexto, visto que as pesquisas científicas em muito beneficiam Estado e população. A partir desse viés, é válido discutir a falta de investimento nas pesquisas universitárias, bem como o desperdício do dinheiro público.

De início, é importante entender o termo “universidade”, em sua origem, como instituição de ensino e pesquisas práticas nas principais áreas do saber para uma posterior divulgação em comunidades científicas. No entanto, nota-se que esse significado não é posto em prática e se mantém apenas no papel, pois o Brasil está consolidando um dos maiores atrasos científicos da sua história. Isso porque, reduziu-se do orçamento público para Ciência e Tecnologia, cerca de 70%, segundo o economista Riley Rodrigues, mesmo diante de de universidades públicas que respondem por mais de 95% da produção científica brasileira. Dessa forma, questiona-se a viabilidade de se produzir ciência em um contexto de descaso e descrédito, em que a autonomia dos estudantes é ameaçada por falta de verbas investidas.

Convém pontuar, ainda, que enquanto o corte de recursos se acentua na área de pesquisas, há o aumento da utilização do erário público em obras faraônicas usadas como justificativa para desviar dinheiro do contribuinte. Desse modo, percebe-se, por parte do governo, a negligência com o legado científico brasileiro em prol do desperdício de dinheiro público, que por não ter correta fiscalização e direcionamento acaba em setores que não trazem retorno, como construções inacabadas -por exemplo. Confirma-se assim o pensamento do escritor, Caio Prado Júnior, o qual diz que o Brasil é um país que permanece em muitos aspectos parecido com sua estrutura colonial, posto que há uma exploração por meio de impostos, sem retorno real para o crescimento do país.

Uma mudança real para esse problemático cenário pode e deve ser feita por meio de ações efetivas da sociedade civil -por ser oposição às estruturas apoiadas pela força do Estado- para que haja uma grande pressão social em prol do investimento público em pesquisas científicas. Isso pode ser feito por meio de baixo-assinados da população exigindo o direcionamento do dinheiro do contribuinte para setores educacionais, como universidades. Faz-se necessária, também, a atuação da imprensa socialmente engajada -por ter amplo alcance populacional- em divulgar, em parceria com o Estado, o trâmite de verbas públicas para que não haja desvio sem que o povo saiba.