A pesquisa científica nas universidades brasileiras
Enviada em 13/01/2021
Carlos Chagas, famoso pesquisador brasileiro, foi a única pessoa que conseguiu desvendar todos os aspectos de uma doença (agente etiológico, vetor, transmissão, sintomas e tratamento). Porém, no Brasil, tal fato está fadado a não se repetir. Isso porque os contínuos cortes de verba e a desvalorização do conhecimento científico estão esvaziando a pesquisa científica em universidades brasileiras.
Primeiramente, é válido destacar que a negligência estatal colabora com esse cenário. De acordo com a Constituição Federal de 1988, é responsabilidade do Estado manter o funcionamento das universidades públicas. Apesar disso, o biólogo Paulo de Bittencourt Júnior, professor da UFRGS, mostra que a universidade não tem condições de manter suas pesquisas devido ao corte de verbas federais. Segundo ele, seu laboratório, que já contou com 30 cientistas, hoje sobrevive com apenas quatro. Assim, é indubitável que a má administração é uma das causas do sucateamento dos centros de pesquisa.
Além disso, é pertinente ressaltar que a descrença da sociedade brasileira no método científico afeta diretamente os cientistas. Esse traço cultural é explicado pelo historiador Sérgio Buarque, através do conceito de “bovarismo”. De acordo com ele, o brasileiro tende a preferir métodos simplistas de resolução de problemas a práticas complexas, como a ciência. Com isso, nota-se que teorias sem embasamento são “cultuadas”, enquanto cientistas são desmoralizados. Exemplo desse cenário são as ofensas dirigidas ao biólogo Átila Iamarino por causa de suas projeções céticas acerca do coronavírus. Dessa forma, o interesse em defender os centros de pesquisa contempla uma ínfima parte da população.
Por conseguinte, infere-se que interferências na administração estatal têm que ocorrer, a fim de se preservar a pesquisa nas universidades. Para isso, o governo deve criar um programa de financiamento a pesquisas, nos moldes do FUNDEB, que vai garantir a verba necessária para as universidades. Além disso, o MEC deve adicionar o ensino sobre a importância do método científico ao currículo comum de escolas brasileiras. Dessa forma, por exemplo, haverá aulas que enaltecerão figuras como a de Carlos Chagas, aumentando o interesse de estudantes na pesquisa científica. Também é necessário um esforço da sociedade científica para atingir o máximo de cidadãos o possível. Para isso, pode-se criar perfis em redes sociais que, com linguagem acessível, distribuirão conteúdo fidedigno à população. Desse modo, ter-se-á um país com estrutura digna de seus pesquisadores.