A pesquisa científica nas universidades brasileiras

Enviada em 13/01/2021

“O homem se torna aquilo que a educação faz dele”. Segundo filósofo Imanuel Kant, a educação é responsável por moldar o homem, tornando-o quem é. Outrossim, para que seja alcançada uma realidade social em que os indivíduos são constantemente influênciados pelo que aprendem é necessário que existam políticas públicas direcionadas nesse sentido. No entanto, no Brasil, o que se percebe é um processo de desmonte da pesquisa científica alicerçado na diminuição de investimentos no ensino superior federal. Esse cenário nefasto ocorre não só pela falta de uma falta de atenção mais adequada dada as universidades pela população em geral, mas também devido a incompetência administrativa de reitores e diretores de centros.

Precipuamente, é fulcral inferir o desconhecimento do cidadão médio acerca dos benefícios da pesquisa científica como fundamental na construção de uma conjuntura social em que a academia é posicionada  distante da sociedade. Dessa forma, é criado um consenso de “atitude blasé”, conceito do sociólogo alemão Georg Simmel, no qual o indivíduo se torna indiferente a uma situação que deveria dar atenção. Estáticos, em consequência, a população legitima o Estado a suprimir o investimento na pasta da educação, por meio de contigenciamentos progressivos, sem esboçar uma desaprovação considerável.

Ademais, é imperativo inferir a inabilidade em gerir os recursos públicos dos escolhidos para os cargos de reitores e diretores das universidades públicas. A falta de conhecimento administrativo e sensibilidade para reconhecer as demandas da sociedade, onde o ensino superior público pode atuar de forma positiva, freia terrivelmente o desenvolvimento no Brasil. Como exemplo, mesmo em anos em que não houve contingenciamento, como em 2013 e 2014, a Universidade Federal da Paraíba se encontrava com problemas de infraestrutura graves e estudantes de projetos de extensão, como o Fórmula UFPB, responsável pela construção de protótipos veiculares, usavam recursos próprios para financiar o projeto.

Portanto, cabe aos meios de comunicação divulgar os avanços nas pesquisas realizadas pela academia, por meio da destinação de espaços em seus periódicos eletrônicos exclusivamente para esse fim, mediante parcerias com as universidades, a fim de que a disseminação de desinformação seja evitada e as pessoas estejam conscientes dessas novidades. Além disso, é mister que haja uma gestão mais eficiente do dinheiro público pelos reitores das universidades, de forma a evitar a má aplicação desses recursos. Assim, pode-se tornar real a ideia de uma sociedade transformada pela educação, como pensou Kant.