A pesquisa científica nas universidades brasileiras
Enviada em 13/01/2021
Consoante Émile Durkheim, sociólogo francês, a sociedade, assim como um “corpo biológico”, é composta por partes que interagem mutuamente. Assim, para que essa entidade se mantenha harmônica, é necessário que os direitos dos cidadãos sejam assegurados. Nesse viés, visto que as pesquisas científicas universitárias são o berço das inovações que impactam os mais variadores ramos sociais, o óbice no fomento dessa atividade subverte essa conjuntura. Em suma, a inação governamental no apoio às universidades tende a marginalizar a realização da ciência.
Precipuamente, de acordo com o escritor americano John Nasbitt, “a nova fonte de poder não é o dinheiro nas mãos de poucos, mas a informação nas mãos de muitos”. Nessa perspectiva, os estudos científicos, que hodiernamente denotam um meio eficaz de aquisição de saberes, se mostram medulares ao desenvolvimento de diversos setores socias, tais como a saúde, a economia e os transportes. Desse modo, é imperioso o papel dos centros de ensino superior, que detêm, entre mestres e acadêmicos, os profissionais capacitados à aplicação do método científico.
Faz-se mister, ainda, salientar a desídia governamental como impulsionadora do problema. Conforme o artigo 3 da Carta Magna de 1988, é incumbência estatal assegurar uma sociedade livre e justa, atestando o desenvolvimento nacional. Sol tal ótica, a ciência é elementar à prática do Estado Democrático de Direito, uma vez que se faz estopim do progresso em áreas do conhecimento como, por exemplo, a estatística social. Conseguintemente, a indolência da máquina pública no incentivo monetário e intelectual às universidades brasileiras ultraja o que, segundo o iluminista John Locke, são direitos inalienáveis dos homens, a vida e a liberdade.
Portanto, é fulcral uma tomada de medidas que solucionem esse impasse. Assim, o Ministério Público Federal, deve, por intermédio de parcerias público-privadas, prover às instituições de ensino superior os recursos necessários à metodologia científica, como equipamentos e materiais técnicos. Destarte, pode-se incitar nas universidades a formação de um robusto corpo de pesquisadores. Ademais, como dito pelo economista francês Robert Turgot, o princípio da educação é pregar com o exemplo. Logo, o Ministério da Educação deve promover nas escolas, feiras de iniciação científica, a fim de formar desde cedo os futuros cientistas e propiciar que a sociedade, de fato, funcione como modelo de Durkheim.