A pesquisa científica nas universidades brasileiras

Enviada em 13/01/2021

Durante os séculos XIX e XX, o período conhecido como “Belle Époque” foi marcado, devido aos grandes avanços científicos europeus da época, como um dos mais prósperos de toda a humanidade. No entanto, em configurações modernas, o Brasil se encontra em uma situação precária no que é referente ao desenvolvimento de pesquisa acadêmica, devido a uma série de fatores, como o baixo investimento público acerca do tema e a ínfima parcela universitária do país.

Em primeira análise, em sua obra “A República”, o filósofo Platão determina que o ato de governar significa proporcionar o bem-estar máximo de uma população. Todavia, no que tange a assegurar a evolução do conhecimento na nação e consequentemente da sua qualidade de vida, o Estado ainda é falho, visto que, em decorrência das sucessivas crises econômicas, o seu investimento nas universidades retrai constantemente. Nessa lógica, essas instituições cada vez menos conseguem manter em funcionamento os projetos nos quais já estão envolvidos, e, de forma alguma, se engajam em novos. Dessa maneira, o país estagna no âmbito tecnológico, e, por conseguinte, no social, realidade essa demonstrada pelo sociólogo Augusto Comte, o qual afirma que uma comunidade atinge seu ápice nos aspectos citados apenas de maneira concomitante.

A posteriori, a baixa participação popular no tópico em questão é um problema evidente. Nessa perspectiva, de acordo com os dados da Organização de Comércio e Desenvolvimento Econômico, apenas um a cada cinco brasileiros tem ensino superior e, menos de 0,5%, mestrado. Externo à matemática, as estatísticas demonstram, com precisão, a realidade do Brasil, a qual, em decorrência das discrepâncias socioeconômicas historicamente herdadas, os menos favorecidos acabam por não terem acessso às universidades, já que possuem a necessidade urgente de gerar renda. Nesse contexto, como há uma baixa participação das massas, por conseguinte há uma mão de obra produtora de conhecimento escassa, e, consequentemente, exígua inovação científica, o que, de certa forma, é usado como justificativa para que se invista ainda menos dinheiro no setor, formando, assim, um ciclo.

Faz-se necessária, destarte, a reversão desse quadro crítico. Desse modo, cabe ao Governo estimular parcerias público-privadas, nas quais empresas comprem a tecnologia produzida pelos centros de pesquisa por um preço mais baixo. O capital obtido, por sua vez, deve ser reaplicado para o manutenir do próprio ambiente, com o excedente sendo utilizado tanto para desenvolver novos estudos quanto para expandir o contigente de acadêmicos da universidade em que o local se encontra. Dessa forma, a ciência, educação e infraestrutura brasileira irão prosperar e, enfim, a nação viverá sua própria “Belle Époque”.