A pesquisa científica nas universidades brasileiras
Enviada em 14/01/2021
Milton Santos foi um geógrafo brasileiro considerado, por Stephen Hawking, a maior mente do século XX. Tendo sido aluno, docente e professor emérito da Universidade de São Paulo (USP), ele ilustra, com sua produção, o papel central das universidades brasileiras na pesquisa científica. Além disso, versando sobre o atual processo de globalização, esse teórico também fornece os meios para compreender, de um lado, a importância do fazer científico e, de outro, as causas de sua preterição pelo capital nacional: ambas residem no conceito de Divisão Internacional do Trabalho (DIT), processo que deve ser encaminhado pelo poder público com medidas fomentativas.
Ao conceituar “Nova DIT”, Milton Santos explica um dos ganhos obtidos com a pesquisa científica. Para ele, a atual conformação do capitalismo favorece os países que exportam tecnologias e relega os que, como o Brasil, subsidiam a produção agrária. Desse modo, um país que fomenta o ensino superior - fonte de 95% da produção científica - consolida sua posição no “Norte econômico”, passando a observar melhora na qualidade de vida.
No entanto, os cortes de verba observados pelas universidades brasileiras nos últimos anos bem exemplificam o atraso do país em sair da “Velha DIT”. Esse sistema, que favorece a quantidade de vendas ante à qualidade, vê respaldo, por exemplo, em um ministro do Meio Ambiente que defende “passar a boiada na Amazônia”, pisoteando incalculável potencial científico em prol da pecuária. Assim, faz-se valer uma lógica de ganhos imediatistas e concentrados à qual não interessa mudar de DIT, realidade espelhada no cenário científico do país.
Portanto, é imperativo que a transição de etapa globalizacional ocorra, mediante atuação do poder público. Nesse sentido, cabe ao Ministério da Economia, por meio de outorga de portaria, taxar, em 20% adicionais, os ganhos de todos os empreendimentos agrários do país que tenham mais de 20 hectares. Esses fundos serão, então, integralmente revertidos para o Ministério da Educação, encarregado, por sua vez, de redistribuí-los pelas universidades públicas, de modo a suplantar a “Velha DIT” pela nova.