A pesquisa científica nas universidades brasileiras
Enviada em 14/01/2021
Na obra ‘‘Claro Enigma’’, coletânea de poemas de Carlos Drummond de Andrade, o poema ‘‘A máquina do mundo’’ refere-se ao indivíduo que nega-se aos avanços da ciência e da tecnologia, entretanto, utiliza-se dos frutos que ela proporciona em diversos âmbitos sociais. Hodiernamente, é evidente a necessidade de se produzir pesquisas científicas em universidades brasileiras -públicas e privadas-, reforçando a linha tênue entre avanço científico e benefícios para a sociedade brasileira. Logo, faz-se necessário o debate acerca das razões para o desmantelamento e inviabilidade de reconhecimento do processo das iniciações científicas nas universidades do Brasil.
Em primeira análise, é correto afirmar que, tacitamente, a ciência vem tendo admiradores e opositores quanto aos seus produtos. Com isso, ficou visível durante a pandemia do Coronavírus em 2020/21 em que fake news sobre vacinas, remédios sem comprovação de eficácia contestam a veracidade da produção científica brasileira e mundial. Desse modo, caracteriza-se uma banalização da importância da ciência e de seus frutos, pois ,uma vez que a ações como a ampliação do corte de verbas para bolsas do Capes, discursos citando que em faculdades públicas só existe balbúrdia, prejudicam o trabalho de cientistas e fragilizam movimentos contra essa precarização e boicote à produção científica.
Isto posto, está em consonância com a tese da ‘‘Teoria dos três estágios’’, de Augusto Comte, em que a ciência é o meio pelo qual a humanidade poderia atingir o estágio positivo, que seria então o máximo grau de desenvolvimento. Entretanto, o desenvolvimento torna-se uma utopia já que a metodologia embasada em ciência é invalidada e constestada por discursos sustentados em achismos em um grupo de ‘‘Facebook’’ por exemplo, impossibilitando alcançar um status quo de progresso e desenvolvimento, fomentando a impossibilidade de alcançar uma sociedade crítica quanto aos fatos apresentados.
Interfere-se, portanto, que medidas sejam tomadas à respeito de ampliar a acessibilidade aos produtos oferecidos pela ciência, em seus diversos âmbitos para possibilitar seu maior alcance. Posto isso, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação deve, por meio de um amplo debate com o Estado e a sociedade cívil atuarem em conjunto para possibilitar a ampliação da disseminação dos frutos das pesquisas científicas. Tal plano deverá focar, principalmente, em facilitar o acesso à artigos e pesquisas publicadas e, também de possibilitar uma linguagem de possível compreesão por boa parte da população. Assim, observar-se-ia uma maior visibilidade dos benefícios da ciência e uma redução da tentativa de boicote aos fatos comprovados, permitindo a completude democrática do acesso à ciência.