A pesquisa científica nas universidades brasileiras

Enviada em 15/01/2021

Responsáveis por mais de 90% da pesquisa feita no Brasil, as universidades públicas são parte de uma história que teve início quando Dom João VI, ao chegar ao Brasil, em 1808, decretou a criação da Faculdade de Medicina da Bahia. Tal história, no entanto, encontra hoje um cenário pouco glorioso, visto que pouca prioridade tem sido dada à pesquisa científica nas universidades brasileiras. Nesse contexto, pode-se citar, além do baixo investimento feito em ciência, a ausência de polos tecnológicos no território brasileiro.

Precipuamente, ressalta-se os baixos investimentos direcionados ao desenvolvimento de ciência no Brasil. Isso se deve, em parte, ao fato de o Brasil alocar investimentos em termos de porcentagem do PIB. Assim, enquanto o Brasil possui, em porcentagem, investimentos comparáveis aos de países desenvolvidos, o investimento absoluto é notavelmente menor, dado que o Brasil possui um PIB menor e uma população maior. É imperioso, assim, que haja maior investimento em ciência e tecnologia.

Ademais, é notório que a falta de polos tecnológicos - como o Vale do Silício, nos EUA, ou o polo de Bangalore, na índia - contribui de forma decisiva para um menor alcance das pesquisas realizadas no Brasil. De fato, apesar de possuir universidades renomadas, apenas 4% da população brasileira trabalha no setor quaternário - setor de desenvolvimento de tecnologia. Em países com a Coreia do Sul, essa porcentagem encontra-se próxima de 75%.

Sendo assim, a fim de fomentar o investimento em ciência no Brasil, faz-se necessária a criação do programa “Mais Ciência”. Esse programa, implantado pelo Ministério da Ciência, por meio do direcionamento de 5% dos royalties do Pré-Sal, terá como cerne o investimento em parcerias público-privadas, contemplando ao menos uma universidade de cada estado. Pode-se ainda, estipular que o polo de São José dos campos, onde já existe o ITA, seja o ponto de partida do programa. Feito isso, poder-se-á vislumbrar uma maior aplicabilidade direta das pesquisas feitas no Brasil.