A pesquisa científica nas universidades brasileiras
Enviada em 15/01/2021
No início de 2021, cientistas brasileiros do Instituto Butantan surpreenderam o mundo ao anunciar a vacina contra o Covid-19. Tal feito foi considerado histórico, uma vez que, além de ser o único país periférico que consiguiu desenvolver uma profilaxia pandêmica, superou todas as dificuldades enfretadas pela pesquisa científica no Brasil. Diante disso, cabe analisar o descaso estatal e o descrédito da sociedade como motivadores dessas mazelas nos centros de pesquisa universitários.
Em primeiro lugar, observa-se a negligência estatal diante da produção científica. Isso acontece devido ao corte de bolsas e diminuição de investimentos em universidades, as quais são as principais formadoras de cientistas, bem como produzem a maior parte das inovações na ciência. Sob esse viés, a falta de verbas ocasiona o atraso em relação aos demais países, dependência tecnológica externa e emigração de pessoas qualificadas para locais nos quais a produção científica é valorizada. Portanto, evidencia-se que o Estado brasileiro exerga a pesquisa como um gasto, o que revela o desconhecimento acerca do economista Sir Arthur Lewis, cujo preceito básico é a ciência como um investimento com desenvolvimento garantido.
Ademais, interessa, ainda, frisar que o descrédito da sociedade também afeta a produção científica no país. Isso ocorre em virtude da disseminação de notícias falsas, cujo conteúdo principal é a desconfiança em relação à segurança das pesquisas brasileiras, além da disseminação do senso comum nas redes sociais. Nessa perspectiva, movimentos contrários à ciência crescem, como o Antivacina, e a imagem dos cientistas fica, cada vez mais, inferiorizada na nação. Com isso, nota-se que essa dinâmica precisa mudar, haja vista que a produção científica é o que transforma a sociedade e torna um país desenvolvido e autossuficiente no cenário mundial.
Fica claro, desse modo, que tanto a negligência governamental quanto a desconfiança da sociedade são gargalos da produção científica nas universidades brasileiras. Para reverter o quadro, urge que o Ministério da Educação promova a valorização da ciência, por meio da disponibilização de verbas para as faculdades, atração de empresas multinacionais para fornecer estágios e laboratórios com qualidade para os estudantes e ampliação das bolsas de pesquisa. Essa medida tem o intuito de mitigar o atraso científico do país, reduzir a dependência e assegurar a qualidade de vida dos cientistas. Além disso, é imprescindível que a Polícia Federal combata a inferiorização da pesquisa, por intermédio da fiscalização das notícias falsas e punição daqueles que compartilham o senso comum e denigrem a veracidade da ciência. Essa proposta objetiva acabar com os movimentos contrários ao conhecimento científico. Dessa forma, vislumbrar-se-á mais inovações, como a do Instituto Butantan, no Brasil.