A pesquisa científica nas universidades brasileiras

Enviada em 16/01/2021

Em 1846, o escritor Gonçalves Dias escreveu o poema “Canção do Exílio”, no qual relatava a sua saudade do Brasil. Conquanto, se o poeta pudesse ver a atual realidade do país, no que tange à questão do descaso com as pesquisas científicas nas universidades, questionaria seu saudosismo por perceber tamanho atraso social. Nesse sentido, pode-se afirmar que a insuficiência legislativa e o silenciamento social intensificam essa situação.

Primordialmente, é necessário ressaltar a ineficácia das leis como principal causa do imbróglio. Consoante ao filósofo grego Aristóteles, o objetivo da política é promover a vida digna dos cidadãos. Nesse contexto, o quadro vigente contrasta o ideal aristotélico, visto que a deficiência de leis viola direitos constitucionais ao não ser capaz de resolver as questões sociais e as inúmeras consequências desse ato, como a internação e aposentadoria precoce, que recaem, injustamente, sobre o corpo social ao não receber o tratamento adequado que receberiam com o auxílio das pesquisas científicas nas universidades.

Ademais, vale salientar a falta de debate social como impulsionador do problema. Acerca disso, a escritora brasileira, Martha Medeiros, afirma, em uma de suas obras, que o indivíduo silencia aquilo que ele não quer que venha à tona. Nessa perspectiva, é notório a relação da afirmação da autora e a questão do corte de verba para a realização de pesquisas nas universidades, já que o Estado brasileiro mantém essa questão silenciada, pois sua discussão tratará a exposição de muitos reveses e a fundamentação de incontáveis consequências, das quais, seus responsáveis, não demonstram capacidade para dirimir.

Portanto, deve-se enfrentar o supracitado enredo. Para tanto, a mídia deve discutir o assunto com profissionais especialistas nessa área, por meio de campanhas amplamente divulgadas por programas de televisão de grande audiência. Nesse viés, tal medida ocorrerá pela elaboração de um projeto estatal, tendo como apoio as emissoras de televisão, a fim de apresentar uma visão crítica e orientar os espectadores a respeito do impasse. Quem sabe assim, no futuro, será possível sentir saudades do Brasil como na “Canção do Exílio”.