A pesquisa científica nas universidades brasileiras

Enviada em 13/02/2021

O desenvolvimento socioeconômico de um país está associado diretamente aos seus avanços tecnocientíficos, algo perceptível ao analisar momentos históricos, como a relação do pionerismo inglês na Revolução Indústrial com o seu destaque na política econômica mundial nos séculos XVIII e XIX. Apesar dessa relação, o Brasil passa por problemas com investimentos nas pesquisas científicas nas universidades brasileiras. Sendo assim, é lícito considerar que a redução de investimentos do Governo Federal na área de pesquisa e a negligência das empresas privadas do setor da educação superior contribuem para a perpetuação da problemática.

Em primeira análise, evidencia-se, por parte do Estado, a ausência de políticas públicas suficientemente efetivas voltadas para o avanço tecnocientífico. Segundo Aristóteles, em seu tratado sobre a ética, o papel da política é proporcionar felicidade aos cidadãos. Contudo, ao analisar o papel que o Ministério da Economia exerce na administração do país, a máxima do filósofo grego não se faz presente. Pois, tal órgão, instituído para ser o respónsavel pela determinação do investimento em pesquisas no Brasil, diminui, de maneira significativa, o valor das verbas disponíveis para a área. Segundo o orçamento do Governo Federal para 2021, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) perderá 34% de sua verba anual. O que resulta em falta de condições para a manutenção dos projetos existentes. Ou seja, a postura do Estado colabora para a perpetuação desse cenário negativo.

Em segundo plano, deve-se observar a negligência das empresas privadas do setor da educação de nivel superior, as universidades privadas, em seu papel social para a sociedade a qual estão inseridas. Tais instituições, apoiadas nos ideais neoliberais, que entre suas características se tem a menor intervenção estatal, buscam maiores lucros com o menor investimento possível. Por consequência dessa visão, acabam por não financiar pesquisas e projetos científicos de forma significativa, o que é perceptível nos dados da Academia Brasileira de Ciências (ABC), os quais informam que 95% das produções científicas do Brasil estão nas universidades públicas. Logo, a negligência das empresas privadas em seu papel social contribui para a permanência do problema.

É necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para aumentar o número de pesquisas científicas nas universidades brasileiras. Sendo assim, o Ministério da Economia deve aumentar a verba disponível para as pesquisas para 2% do PIB e o Ministério da Educação deve, por meio deste aumento financeiro, ampliar o número de bolsas de pesquisas e retormar os projetos que estão estagnados, com o propósito de ampliar e diversificar as pesquisas em todas as áreas do conhecimento. E com isso, ter a convicção do pionerismo brasileiro em novas descobertas no futuro.