A pesquisa científica nas universidades brasileiras

Enviada em 18/02/2021

Em 1948 o presidente brasileiro Eurico Gaspar, lançou um plano governamental econômico que tinha como objetivo o desenvolvimento de setores como saúde, alimentação, transporte e energia, o chamado “Salte”. Sob esse viés, fica claro apontar que a educação nunca foi prioridade destinatária dos subsídios ofertados pelo Estado, tal fato pode ser observado nos constantes cortes de gastos destinados à pesquisas científicas das universidades brasileiras. Isso se deve principalmente a negligência Estatal a qual gera por consequência a fuga de cérebros.

Em primeiro lugar, convém ressaltar que a falta de atenção ofertada pelo Estado para com as pesquisas científicas realizadas por universitários, caracteriza-se como um dos principais motivadores para a desvalorização dessa prática. Além disso, de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade hodierna é regida, resumidamente, por duas grandes tendências comportamentais, o imediatismo e a superficialidade. Desse modo, devido ao conhecimento científico ser progressivo e ao longo do tempo, o governo federal tende a priorizar o financiamento de projetos que modificam a vida em sociedade em um pequeno espaço de tempo, como visto no plano “Salte” em que o transporte e energia eram as prioridades.

Em segundo lugar, a escassez de incentivo social e financeiro que os pesquisadores recebem, acarreta na procura de melhores condições de trabalho e estudo em outros países, a chamada fuga de cérebros. Assim sendo, aliado ao comportamento imediatista que o Governo brasileiro apresenta, a fuga de cérebros apresenta-se como outro indicativo da ineficiência com que o Estado age diante da educação e sobretudo, a incitação à pesquisas de cunho científico em universidades públicas, as quais mesmo sendo responsáveis por 95% da produtividade científica não recebem a devida atenção, trabalhando sob condições precárias e até mesmo financiando com dinheiro próprio pesquisas que vão beneficiar toda a sociedade. Logo, é inadmissível que tal negligência continue existindo no hodierno brasileiro.

Portanto, uma intervenção faz-se necessária para que tais desafios possam ser superados e a pesquisa científica realizada por universitários brasileiros receba a devida valorização. Para isso, é imperioso que o Ministério da Educação subsidie mais projetos acadêmicos de cunho científico, por meio da oferta de bolsas financeiras para os cientistas que estão trabalhando e o fornecimento de utensílios adequados ao estudo realizado. Com isso, os pesquisadores e cientistas brasileiros terão seu trabalho valorizado, não sendo mais necessário sair do país para implementar seus projetos e consequentemente trazendo avanços em diversos setores da sociedade brasileira.