A pesquisa científica nas universidades brasileiras

Enviada em 21/02/2021

As prioridades e o desenvolvimento

A história tem demonstrado que os avanços sociais e econômicos de um país têm relação direta com o desenvolvimento de políticas educacionais e científicas. Assim, quando há baixo investimento nessas duas áreas, ocorre uma dificuldade de dar respostas às demandas da sociedade e de prever situações com potencial de agravo. No Brasil, além do histórico de falta de prioridade nas pesquisas científicas, as perspectivas são de novos cortes e de uma descrença no papel da ciência.

Desde que a matemática, com Newton e Galileu, e o método científico, com Descartes e Bacon, ganharam reconhecimento e encorparam a busca do saber, a ciência tem permitido que as sociedades buscassem soluções a variados problemas. Mesmo que o senso comum tenha seu papel na evolução da humanidade, o saber científico tem permitido grandes saltos de desenvolvimento, como no avanço da informática ou na descoberta do antibiótico.

No país, mesmo que tenhamos bons exemplos de pesquisas avançadas, seja na agricultura ou na medicina, a percepção política e social é de que a ciência não é uma prioridade, num contraponto a problemas tidos como mais urgentes, como a miséria e a saúde. Os investimentos federais e estaduais permanecem baixos e com seguidas tentativas de diminuição, por exemplo, como a proposta de corte do governo paulista para a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Junte-se a isso, uma política de governo de baixa crença no saber científico, intensificada durante a pandemia da Covid-19.

Para superar essas dificuldades é preciso priorizar as ações ligadas ao desenvolvimento científico, e propor maiores aportes financeiros para isso. O exemplo de países, como Singapura, que conseguiram expressivos saltos nos últimos anos, pode ser um bom caminho a seguir. Foi com o foco nas inovações tecnólogicas que outros setores da sociedade evoluíram, como a indústria. A ciência não é o único bem de uma nação. Entretanto, sem ela, o caminho de desenvolvimento de um país inexiste.