A pesquisa científica nas universidades brasileiras

Enviada em 06/03/2021

Um indivíduo em desespero, ao passo que, em seu entorno, personagens mostram-se apáticos a esse sofrimento. É isso o que se observa no quadro “O grito”, do pintor Edvard Munch. Contudo, essa indiferença frente às adversidades alheias não se limita à obra expressionista, já que, na realidade brasileira, as vítimas da desvalorização das pesquisas científicas têm sido negligenciadas por determinados setores da sociedade. Nesse prisma, cabe analisar a falta de assistência aos pesquisadores e o baixo investimento em infraestrutura nas universidades.

De início, pontua-se que o Poder Público revela-se omisso ao permitir o descaso com a ciência nas universidades. Isso porque existe uma deficiência no processo de assistência governamental, uma vez que falta oferecer bolsas de iniciação científica e de pós-graduação nas instituições de ensino superior, o que dificulta a realização de pesquisas, podendo, inclusive, fortalecer a evasão definitiva de cientistas para outros países. Vê-se, então, que o Estado não tem assegurado o bem-estar de toda a coletividade, demonstrando um desrespeito aos princípios previstos na Carta Magna de 1988.

Ademais, enfatiza-se que aceitar a desvalorização das pesquisas científicas é banalizar o mal. Porém, parte da sociedade tem apresentado certa resignação diante do baixo investimento estatal em infraestrutura nas universidades públicas, visto que faltam verbas para a aquisição e manutenção de equipamentos laboratoriais, o que dificulta ou inviabiliza o desenvolvimento de pesquisas. Constata-se, assim, que a naturalização dessa problemática corrobora os estudos da filósofa Hannah Arendt, posto que, segundo ela, a massificação social é responsável por comprometer a capacidade crítica das pessoas, as quais passam a aceitar, de maneira inerte, quadros negativos.

Infere-se, portanto, que as pesquisas científicas devem ser valorizadas. Logo, é necessário que o Estado, mediante atuações do Poder Executivo, ofereça auxílio financeiro aos pesquisadores, por meio do fornecimento de bolsas de iniciação científica e de pós-graduação nas universidades, a fim de incentivar a realização de estudos no país e, consequentemente, evitar a fuga de cérebros. Além disso, organizações não governamentais devem, por intermédio de campanhas midiáticas, sensibilizar a população sobre a importância de não se manter inerte diante do descaso com a produção de pesquisas, potencializando, com isso, a mobilização coletiva em prol de investimento estatal nas universidades públicas, com o intuito de viabilizar, por exemplo, a compra de equipamentos laboratoriais e, dessa forma, o desenvolvimento da ciência nacional. Desse modo, a indiferença frente às adversidades alheias poderia se restringir à obra de Munch.