A pesquisa científica nas universidades brasileiras
Enviada em 12/03/2021
Paulo Freire, educador brasileiro, afirma que “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Entretanto, lamentavelmente, a pesquisa científica no Brasil encontra, rotineiramente, obstáculos que impedem o progresso social. Sendo assim, isso ocorre, dentre outros fatores, da redução dos investimentos por parte do setor público e, por outro lado, pela ínfima participação das faculdades particulares na produção científica.
Mormente, é importante destacar que os cortes orçamentários das universidades fragilizam as pesquisas. Nesse sentido, Paulo Guedes, Ministro da Economia, anunciou uma contenção no orçamento do Ministério da Educação (MEC), em 2021, de aproximadamente 4 bilhões, ou seja, uma perda de 18% em relação ao ano de 2020. Nesse contexto, os projetos em desenvolvimento são, muitas vezes, finalizados sem alcançar os objetivos propostos. Consequentemente, torna-se inviável alcançar melhorias sociais, conforme proposto por Freire, sem o apoio do poder público. Somado a isso, é indispensável destacar que a participação das faculdades particulares no desenvolvimento de pesquisas é irrisória. Nesse viés, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) informou que, de 2011 a 2016, 95% da produção científica no país foi oriunda das universidades públicas. Assim, é perceptível que as instituições de ensino superior (IES) privadas estão, assim como a maioria das empresas, destinando seus esforços para obtenção de lucro. Por conseguinte, as pesquisas científicas realizadas nessas IES não resultam em grandes impactos sociais.
Infere-se, portanto, que é necessário desconstruir essa realidade da ciência no Brasil. Destarte, o Governo Federal, por meio do Ministério da Economia, deve reverter o corte no orçamento do MEC. Ademais, com a finalidade de aumentar a participação das IES privadas, deve-se criar, por meio de Projeto de Lei, incentivo fiscal para as instituições que ampliarem a produção científica. Com isso, espera-se ampliar a efetividade do Estado e do setor privado, transformando a sociedade conforme propõe Freire.