A pesquisa científica nas universidades brasileiras
Enviada em 15/06/2021
No filme “Radioactive”, é retratada a história da cientista Marie Curie, a qual enfrenta uma série de desafios do meio social para conseguir concluir seu projeto. Nesse sentido, tal premissa se faz presente no contexto vigente, uma vez que a pesquisa científica apresenta uma série de entraves para se tornar completamente viável nas universidades brasileiras. Portanto, é de suma importância analisar os empecilhos dessa realidade: a falta de visão a longo prazo do governo e a falta de comunicação entre o meio científico e a população.
De início, convém enfatizar que a ideologia econômica do governo brasileiro é extremamente imediatista, o que exacerba a falta de investimento nas pesquisas científicas universitárias. Sob esse viés, conforme depoimento do Bioquímico Paulo Bittencourt - responsável pelo Laboratório de Fisiologia Celular da UFRGS -, o seu projeto necessitaria de 5 milhões de reais para ser concluído, o que, futuramente, pouparia 90 bilhões de reais por ano com gastos governamentais em tratamentos de saúde. No entanto, desde 2016, a verba disponibilizada para esse setor foi cada vez mais reduzida, o que ocasiona uma grande perda econômica ao longo dos anos. Assim, é inegável que o Estado precisa reconhecer a iniciativa científica, posto que melhora a qualidade de vida dos cidadãos e, consequentemente, reduz gastos monetários com tratamentos hospitalares ao ano.
Ademais, a falta de comunicação entre os cientistas e a população brasileira é mais um dos empecilhos para o desenvolvimento de projetos científicos. Nesse contexto, segundo o historiador Noah Harari, no livro “Sapiens”, a espécie humana só conseguiu prosperar graças ao aprimoramento da linguagem e da comunicação. De maneira análoga, percebe-se que a linguagem científica, a qual é dotada de termos técnicos e palavras impronunciáveis, turge esse requisito de desenvolvimento social, dado que a maioria das informações não é compreendida pelo público leigo. Logo, indubitavelmente, faltam medidas pelos cientistas para facilitar a transmissão de conhecimento, já que a realidade científica aparenta não se aplicar ao “mundo real”, o que gera uma estagnação no avanço da sociedade.
Depreende-se, pois, que a pesquisa científica nas universidades brasileiras enfrenta uma gama de entraves. Destarte, urge que o Estado, por meio da aplicação de capital, aumente a porcentagem da verba destinada ao avanço científico nas universidades, as quais representam o maior potencial de promover melhoras tanto no sistema de saúde quanto na redução de gastos econômicos do governo. Nesse ínterim, o intuito de tal medida é incentivar que mais pesquisas sejam realizadas dentro do meio acadêmico. Além disso, é essencial que os cientistas simplifiquem a linguagem de seus artigos com o objetivo de tornar a ciência um conhecimento universal, o qual potencializa o desenvolvimento social.