A pesquisa científica nas universidades brasileiras
Enviada em 06/08/2021
Heráclito de Éfeso, o pai da dialética, afirmava que “nada é permanente, exceto a mudança”, fazendo alusão às transformações do real.Felizmente, tal lógica pode ser aplicada ao contexto brasileiro, de modo que os entraves podem ser modificados.Nessa ótica, uma problemática hodierna, que segue essa lógica, é a crescente precarização da pesquisa científica nas universidades.Tal realidade advém da má influência midiática e da negligência do Estado, fatores que fazem urgir uma atenuação desse revés.
Em primeiro plano, é válido salientar que a omissão da mídia corrobora o panorama supracitado.Isso porque, de acordo com o filósofo Michael Foucault, temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas, ou seja, a grande imprensa se isenta do seu papel de informar e compartilhar informações para que a lógica do mercado permaneça.Nesse sentido, o debate acerca dos estudos universitários também não ocorre, já que a ciência fornece subsídios para o questionamento do senso comum -como por exemplo a comprovação da eficácia de vacinas,que contrapõe o movimento “Anti Vacina”-e,consequentemente,não há movimentação social de pressão ao Governo por melhorias.Sob esse viés,é nítido que a ação da mídia reafirma a fragilização da pesquisa nas universidades.
Outrossim, também é notável que o Estado se faz ausente no correto cumprimento de suas responsabilidades.De maneira lastimável, há um grande desfalque de direcionamento de investimentos em infraestrutura no Brasil, o menor em 10 anos de acordo com o Tesouro Nacional, o que tem impacto direto nas pesquisas científicas, que precisam de mão de obra qualificada, aparelhos específicos e espaços apropriados.Nesse sentido, a despreocupação estatal em direcionar verbas para as faculdades promove a falta de condições para a manutenção de atividades básicas, de modo que parte considerável delas corre risco de fechar, como quase ocorreu com a UFRJ no ano de 2021.Em suma, a indiferença do Governo no que tange ao subsídio correto das universidades legitima a desarticulação dos estudos acadêmicos.
Destarte, é mister modificar essa mazela social.Assim, a Secretaria de Cultura, em parceria com a mídia, deve implementar o projeto “Valoriza a Federal”, por meio de emendas constitucionais.Em síntese, seria transmitido ficção engajada, em horário nobre, acerca da importância das pesquisas universitárias para a sociedade, visando ampliar o conhecimento popular e o comprometimento social com as faculdades.Ademais, o Ministério Público deve autuar a União, para que esta melhore a logística de distribuição de verbas e promoção de infraestrutura nas instituições de ensino superior.Dessa forma, a problemática da precarização da pesquisa científica seria atenuado,de acordo com o filósofo Heráclito.