A pesquisa científica nas universidades brasileiras
Enviada em 25/08/2021
A Guerra Fria foi um marco na história da humanidade, caracterizada por um confronto político e ideológico entre os Estados Unidos da América e a então União Soviética. Durante esse período, as nações envolvidas investiram pesadamente no desenvolvimento científico, pois, quanto mais recursos tecnológicos, maior o poder de um país. Em 1989 a Guerra acabou, mas o investimento em ciência permaneceu, uma vez que ela melhora a qualidade de vida dos cidadãos. No entanto, o Brasil tem-se destacado negativamente por reduzir os investimentos estatais na área. Sendo assim, faz-se válido discutir o porquê disso, bem como os impactos que isso traz para a sociedade.
Percebe-se, de início, que o Estado brasileiro é ineficiente na gestão do desenvolvimento científico do país. Isso ocorre porque a classe política, em sua maioria, não consegue enxergar a importância da ciência para a nação. Acerca disso, o sociólogo Celso Furtado afirma que a mentalidade colonial ainda está estruturada na sociedade brasileira, a qual impede o crescimento socioeconômico por falta de medidas eficientes. Sob esse viés, nota-se que manter o povo em condição de subdesenvolvimento social é interesse de uma classe elitista que detém o poder. Dessa forma, o governo, com mentalidade colonial e retrógrada, direciona um valor irrisório para os centros acadêmicos desenvolverem suas pesquisas: menos de 3% do PIB, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas.
Outrossim, vale destacar que esse cenário desistimula a continuidade de pesquisas já realizadas no país. A exemplo disso, pode-se citar o caso do bioquímico Paulo Ivo, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que desenvolve estudos na área de cardiologia, a qual poderá reduzir os casos de infarto no Brasil. No entanto, com os cortes constantes das verbas governamentais, os estudos não puderam avançar. Analogamente, esse fato acontece com diversas pesquisas nacionais, uma vez que 95% da produção científica do Brasil são feitas em universidades públicas. Dessa maneira, com a paralização de estudos promissores e suas futuras aplicações, os cidadãos brasileiros são prejudicados, sem usufruir de avanços tão significativos para melhoria de vida.
Portanto, diante do exposto, é necessário que o Governo Federal, por meio do Ministério da Ciência e Tecnologia, invista, pelo menos 5% do PIB, no desenvolvimento de pesquisas. Isso deve ser feito com a elaboração de um projeto a ser aprovado pelo Congresso Nacional, que tenha por finalidade direcionar verbas para as instituições públicas de ensino superior, garantindo a manutenção dos estudos, do início até suas aplicações futuras. Dessa forma, será possível fazer progressos em diversas áreas fundamentais para a sociedade, tais como medicina, biotecnologia e engenharia. Destarte, o Brasil poderá sair da condição de subdesenvolvido, mudando a vida de seus cidadãos.