A pesquisa científica nas universidades brasileiras

Enviada em 20/09/2021

O sucesso brasileiro na promoção de inovações que conferissem benefícios sociais importantes esteve fortemente relacionado à pesquisa científica nas universidades brasileiras. Entretanto, os cortes orçamentários anunciados pelo Governo Federal ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, apoiado, inclusive, por parte da sociedade, representam um grave desmonte desse setor. Nesse sentido, percebe-se a configuração de uma nefasta problemática que emerge devido à negligência estatal e aos negacionismo crescente no país.

Em primeiro lugar, vale salientar que a negligência do Estado é um entrave no que tange ao incremento das pesquisas científicas. Para o filósofo Thomas Hobbes, “o Estado é responsável por garantir o bem-estar social”. No entanto, a redução orçamentária no campo da ciência deturpa esse princípio, visto que coibir o desenvolvimento científico interrompe a criação de inovações positivas para a sociedade. Dessa maneira, pesquisas revolucionárias que prometem melhorias na saúde, na educação e na utilização dos recursos naturais, por exemplo, são estagnadas pela irresponsabilidade governamental.

Outrossim, é importante ressaltar que a ascensão de movimentos contrários à ciência também são um empecilho para a sua ascensão. Essas ações, embora majoritariamente ancoradas no senso comum, mobilizam grandes contingentes populacionais e criam um sentimento de aversão à pesquisa científica. Sendo assim, as pessoas utilizam suas opiniões individuais como premissas universais, assim como proposto pelo filósofo Arthur Schopenhauer, para justificar campanhas anti vacinação, negar o aquecimento global e, sobretudo, interromper o livre exercício da ciência no país. Por isso, tais atitudes são verdadeiros desafios para a produção científica nacional.

Portanto, as universidades do país devem, com urgência, realizar manifestações em defesa da ciência, por meio de movimentos estudantis, os quais reúnam inúmeras entidades, como os grêmios, e a sociedade civil, a fim de reivindicar a reformulação do orçamento previsto às pesquisas científicas e impedir o seu desmonte. Ademais, as escolas devem realizar palestras e simpósios, ministrados por cientistas, para enfatizar a importância da ciência para o progresso. Assim, o país poderá prosperar e garantir o bem-estar social efetivamente.