A pesquisa científica nas universidades brasileiras
Enviada em 11/10/2021
Em “Ensaio sobre a Cegueira”, o escritor português José Saramago desenvolve uma narrativa trágica centrada na crítica ao estado de irreflexão da sociedade pós-moderna, por intermédio de uma epifânica cegueira que acomete os indivíduos do meio social. Ao considerar tal sintoma para fundamentar a discussão sobre a pesquisa científica nas universidades brasileiras, vê-se que o corpo social hodierno desenvolveu uma cegueira moral ao não reconhecer que as faculdades são essenciais para o desenvolvimento da ciência no Brasil. Nesse sentido, cabe analisar a importância das universidades, bem como esclarecer os obstáculos para a pesquisa no país.
A priori, é preciso reconhecer que, no cenário brasileiro, grande parte das pesquisas científicas são desenvolvidas em universidades estaduais e federais. Há, evidentemente, a partir disso, uma enorme importância dessas instituições, que promovem o desenvolvimento de diversas áreas como na produção de vacinas e medicamentos, além do desenvolvimento de novas tecnologias e ferramentas. Nessa perspectiva, atesta-se a percepção de Saramago, na medida em que a sociedade tornou-se cega ao não reconhecer essas funções exercidas pelas universidades do país. Dessa forma, muitos indivíduos são a favor de medidas políticas de cortes de verbas nas pesquisas dessas instituições.
Outrossim, é inegável que, dentre os principais obstáculos para a manutenção da ciência, encontra-se a insuficiência de verba destinada à pesquisa. Sob essa ótica, ganha voz a percepção do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, na obra “O mal estar da pós-modernidade”, ao discorrer sobre as chamadas “instituições zumbis”, organismos sociais que, embora importantes, perderam, com o tempo, a forma. À luz dessa ideia, torna-se notório que o Estado tornou-se uma instituição zumbi, posto que as limitadas políticas públicas não incentivam o desenvolvimento de pesquisas e inovações e as verbas destinadas a essa proposta não suprem todas as demandas. Logo, vê-se um atraso social, ao comparar o Brasil com países nos quais investem de forma maciça em pesquisas.
Assim, diante dos argumentos supracitados, é preciso concentrar esforços em solucionar esse impasse. Inicialmente, cabe ao Ministério da Educação, órgão responsável pela formação dos cidadãos, a tarefa de inserir a iniciação científica nas escolas, por meio da aprovação de projetos de pesquisas de nível médio, além de palestras em escolas de nível fundamental, com vistas a formar cidadãos conscientes acerca da importância da ciência e das universidades. De modo complementar, o Ministério da Ciência e Tecnologia deve aumentar as verbas destinadas à pesquisa, a partir do auxílio de iniciativa privada, visando minimizar os atrasos sociais do Brasil. Espera-se que, com ações desse tipo, a pesquisa científica nas universidades brasileiras seja valorizada, findando-se a cegueira da razão.