A pesquisa científica nas universidades brasileiras

Enviada em 13/10/2021

A formação da educação no Brasil e a atual política de cortes na ciência: como fazer o Brasil avançar ?

Os cortes no orçamento da pesquisa científica brasileira vêm, constantemente, ameaçando o futuro da produção acadêmica no país. Historicamente, essa ameaça tanto à educação quanto à ciência tornam-se evidentes durante a história colonizadora e, contemporaneamente, na vulnerabilidade crítica da população sobre as consequências do “apagão da ciência brasileira”.

Para ilustrar as causas dessa fragilidade do senso crítico da população brasileira, faz-se necessário traçar um paralelo com o livro “Raízes do Brasil”de Sérgio Buarque de Holanda. A partir dele se pode reconhecer dois processos distintos de colonização na América Hispânica, “os ladrilhadores espanhóis” em seu o projeto minerador que culminou na organização de cidades para controlar a mineração do ouro e “os semeadores portugueses” com um projeto empenhado na espontaneidade da expansão colonizadora através de vínculos agrícolas/naturais. Nesse sentido, a América espanhola desenvolveu-se a ponto de em 1538 haver a criação de sua primeira Universidade. Já no Brasil isso só ocorreu em 1920 com a criação da UFRJ.

Com isso, até hoje se pode encontrar consequências desse atraso educacional no território nacional, desde os índices de analfabetismo até a exclusão de disciplinas dos currículos de ensino médio durante os anos de 1964. Segundo o INCT – CPCT (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia), por exemplo, 94% da população brasileira não conhece o nome de um único cientista, e 87% não saberiam citar o nome de qualquer instituição de pesquisa. O que culmina na falta de entendimento da população sobre os últimos acontecimentos, como o corte de 92% no orçamento (600 milhões) do ministério da ciência e tecnologia, uma vez que a ciência brasileira é constituída, principalmente, de capital estatal; o que necessitaria de uma mudança no atual modelo.

Destarte, para que haja meios de se produzir conhecimento nas próximas décadas e uma diminuição da fragilidade educacional no Brasil, é necessário que o Ministério da Economia, em parceria com empresas do setor privado promovam novas concessões de editais de pesquisa que atendam a uma aplicabilidade do conhecimento produzido nas Universidades no setor privado – além de que é evidente que há a necessidade de um consenso com elas sobre um corte orçamentário que condiz com a realidade atual de dependência das Universidades ao Estado – de maneira que garanta uma sustentabilidade para os grupos de cientistas e o futuro do país. Em adição, o Estado deve investir na mudança do atual modelo  com a produção de “startups”, aulas de empreendedorismo e facilitações de crédito para que reduza a dependência delas com os recursos do governo.