A pesquisa científica nas universidades brasileiras

Enviada em 28/10/2021

Recentemente, o governo de Jair Bolsonaro decretou o corte de mais de 600 milhões de reais que seriam destinados à investimentos em ciência e tecnologia. No entanto, essa realidade não é de agora: gestões anteriores já davam sinais do sucateamento a qual as universidades brasileiras, responsáveis pela maior parte da produção científica no país, estavam sendo submetidas. Portanto, a análise dessa situação deplorável, compreendendo as suas respectivas causas e consequências, é imprescindível para que ações possam ser tomadas com o intuito de amenizar esse problema.

Nesse contexto, percebe-se que a falta de importância dada para a educação desde tempos passados é uma das raízes que originam o descompromisso atual com o conhecimento científico. Segundo o sociólogo Talcott Parsons, a família é uma máquina que produz personalidades humanas, evidenciando que as prioridades de um indivíduo são determinadas de acordo com a sua educação proveniente da sua juventude. Desse modo, em uma sociedade influenciada pelo senso comum desde os seus primórdios, instituir uma cultura pautada no ensino e na ciência torna-se uma tarefa árdua, o que afeta as decisões de políticos responsáveis pelos rumos da nação até os dias hodiernos. Assim, o destino da produção científica é colocado em risco, prejudicando o desenvolvimento do país.

Outrossim, a máxima do sociólogo Auguste Comte, que afirma que a ciência é o caminho a ser seguido com o intuito de aprimorar a sociedade, é colocada à prova, visto que o caminho seguido pelo Brasil indica justamente o contrário. Dessa forma, percebe-se que a falta de investimentos essenciais em ciência e tecnologia adotados pelo Governo Federal é um dos motivos pelo qual o país passa por crises nas mais diversas áreas, potencializadas pela pandemia de Covid-19, a exemplo do desemprego. Logo, a falta de recursos disponibilizados à ciência é um fator que atrasa a avaliação de dados e, posteriormente, a resolução desses problemas de outros setores sociais que acometem a população.

Destarte, a pesquisa científica, realizada principalmente nas universidades brasileiras, é um bem que deve ser preservado e mantido. Para isso, urge que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, órgão responsável pelo mantenimento da produção científica no país, saia da inércia e promova a restauração de laboratórios abandonados nas mais diversas universidades espalhadas pelo território nacional. Tal ação será alcançada por meio da destinação de recursos à manutenção de equipamentos nesses laboratórios, instrumentos imprescindíveis na continuidade das pesquisas, revitalizando projetos que foram desamparados, mas que são de interesse nacional para a melhora de diversos setores pertinentes à população, objetivando o desenvolvimento social e econômico da nação e, por fim, pondo o Brasil como um lugar de destaque na produção científica internacional.