A pesquisa científica nas universidades brasileiras

Enviada em 17/11/2021

A produção científica esteve ameaçada diversas vezes na história da humanidade, como durante a Inquisição Católica - episódio em que a Igreja chegou a perseguir Galileu Galilei por apresentar ideias que iam de encontro com os dogmas da instituição. No Brasil contemporâneo, o progresso da ciência é ameaçado por sucessivos cortes de verbas que prejudicam a produção e o avanço científico. Tais cortes decorrem da negligência governamental, ocasionando a dispersão de pesquisadores, uma vez que esses não possuem recursos e remuneração para continuarem suas pesquisa. Logo, urge análise acerca da pesquisa científica nas universidades brasileiras.

Primeiramente, evidencia-se a omissão estatal como fator principal do declínio da pesquisa científica brasileira. Sob essa lógica, Aristóteles, grande pensador da antiguidade, defendia a importância do conhecimento para a obtenção da plenitude da essência humana. Nesse sentido, a negligência do poder público quanto aos investimentos em pesquisa e disponibilidade de recursos fomenta os desafios da produção científica brasileira, corroborando para sua decadência. Dessa forma, o desprezo do Estado com a comunidade científica gera perdas imensuráveis ao desenvolvimento científico e social.

Outrossim, é importante destacar que os baixos investimentos governamentais em ciência e tecnologia atuam como principais motivadores da fuga de cérebros no Brasil. Desde os anos 90, a sucessão de governos neoliberais evidenciou uma preocupante tendência de redução de verbas destinadas à pesquisa e inovação que, atualmente, consoante o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, contabilizam apenas 1,3% do PIB em auxílio a essa área do conhecimento. O que se verifica na realidade é um cenário caótico de desamparo aos profissionais vinculados ao desenvolvimento científico e tecnológico que, sem infraestrutura adequada, financiamento de bolsas de estudos e ausência de equipamentos, veem a possibilidade de prosseguir com seus trabalhos em outros países. À vista disso, a descaso estatal com a ciência motiva a emigração de pesquisadores.

Portanto, tornam-se necessárias medidas para combater os desafios da produção científica no Brasil. Sob esse viés, cabe ao Governo Federal, como instância máxima administrativa, investir nas pesquisas científicas a fim de promover o desenvolvimento científico nacional e incentivo ao conhecimento, por meio da disponibilização de recursos satisfatórios ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações e conselhos vinculados, além da criação de mais bolsas de incentivo ao estudo nas universidades, a fim de formar e apoiar seus pesquisadores. Assim, o conhecimento ganhará sua devida importância, como defendia Aristóteles.