A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil

Enviada em 09/09/2025

O documentário “Absorvendo o tabu” da Netflix mostra o dia a dia de mulheres em vulnerabilidade que, por falta de acesso a absorventes, usam materiais inadequa-dos para suprirem as suas necessidades básicas. De maneira análoga ao que é vis-to na obra, algumas mulheres sofrem com a pobreza menstrual no Brasil. Nesse vi és, a falta de dignidade menstrual se torna um reflexo da desigualdade social, uma vez que a negligência estatal e a invisibilidade midiática fortalecem o problema.

Deve-se pontuar, como a negligência estatal está ligada a vulnerabilidade menstrual. Nessa lógica, fundamenta-se a perspectiva do economista Keynes, dado que, o governo deve construir um Estado de bem-estar social, entretanto, isso não ocorre no Brasil pois muitas mulheres ainda não têm acesso a produtos de higiene menstrual, essa situação se deve ao fato de que esses produtos não são acessíveis a po -pulação mais pobre e não são distribuídos amplamente de forma gratuita, uma vez que os programas existentes - como o programa de dignidade menstrual do Gover- no Federal - ainda são limitados e não chegam a todas as mulheres carentes, perpetuando assim a desigualdade menstrual.

Ademais, a ausência de conteúdos relacionados à problemática mantém as vítimas da vulnerabilidade menstrual invizibilizadas. Nesse sentido, a filosofa Djamila Ribei ro defende que, para se atuar em uma situação, é necessário tirá-la da invisibilida-de. No entanto, o panorama nacional destoa do pensamento da estudiosa, uma vez que os impactos da pobreza menstrual não são discutidos ativamente na mídia, fazendo com que essas mulheres permaneçam excluídas de seus direitos básicos, pois se um problema não aparece, dificilmente haverá mobilização popular ou ação governamental para enfrentá-lo.

Portanto, para mitigar a pobreza menstrual, cabe ao Governo Federal implementar um programa nacional de educação menstrual e de distribuição gratuita de absor -ventes em escolas públicas, unidades de saúde e centros comunitários de todo o país, a fim de garantir a todas as mulheres o acesso à dignidade. Além disso, é im-perioso que o Ministério das Comunicações, por meio de campanhas nas redes so-ciais e outros meios midiáticos, promova ações de conscientização e divulgação dos programas existentes, com o intuito de ampliar o alcance das políticas públicas.