A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil

Enviada em 04/11/2025

Pobreza menstrual é o termo que se refere a falta de produtos de higiêne durante o fluxo sanguíneo periódico. Esta situação é um problema que reflete a desigualdade social no Brasil , pois ela evidencia a falta de recursos financeiros e de infraestrutura adequada de mulheres em condições de vulnerabilidade, além de impactar na dignidade destas a direitos básicos garantidos na Lei maior.

Tendo em vista esta problemática, uma pesquisa foi realizada pela Unicef e revelou que no Brasil famílias de baixa renda tendem a destinar uma fração menor de seu orçamento para itens de higiêne menstrual, já que a priorizam a alimentação. Além disso, dados da mesma pesquisa demonstram que 900 mil meninas brasileiras não têm acesso a água canalizada em seus domicílios e 6,5 milhões vivem em casas sem ligação à rede de esgoto. Estes dados deixam claro a desigualdade social existente no país, pois meninas cujas famílias possuem boa renda financeira têm acesso a recursos para higiêne menstrual com facilidade, e este é um fato que reforça ainda mais a desigualdade social, já que a tendência é que quem tem mais recursos tem o privilégio de ter mais acesso a boas oportunidades e consequentemente melhores condições de prosperar no futuro.

Ademais, diante da impossibilidade de se deslocar no período de menarquia, devido a falta de absorventes e de água potável para conter o sangramento, muitas meninas em situação de vulnerabilidade deixam de ter acesso a direitos garantidos na Constituição Federal de 1988, como direito de ir e vir, direito à educação, direito ao lazer, direito à saúde, dentre outros, afetando assim a dignidade feminina.

Logo, pode-se concluir que a pobreza menstrual é um problema social que reflete a desigualdade no país, já que evidencia a falta de recursos financeiros e de infraestrutura das populações marginalizadas, além de comprometer a dignidade feminina. Sendo assim, afim de sanar este impasse, o governo federal deve sancionar políticas públicas de acesso a itens que possibilitem a higiêne menstrual, por meio de leis que garantam a destribuinção destes nos postos de saúde e escolas gratuitamente, além disso deve disponibizar mais locais públicos com infraestrutura adequada para o asseio feminino. Deste modo, a pobreza menstrual será combatida e poderá deixar de ser um reflexo da desigualdade social.