A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil

Enviada em 18/11/2025

A pobreza menstrual, caracterizada pela falta de acesso a absorventes, infraestrutura adequada e informação sobre saúde menstrual, tornou-se um dos fatores mais visíveis da desigualdade social no Brasil. Segundo dados divulgados pelo UNICEF, milhões de meninas e mulheres deixam de estudar ou trabalhar por não terem condições mínimas de lidar com o próprio ciclo. Essa realidade evidencia como necessidades básicas femininas ainda são tratadas como invisíveis em uma sociedade marcada por desigualdades estruturais.

Sob essa ótica, a filósofa Simone de Beauvoir já afirmava que “ser mulher” é enfrentar barreiras impostas por um sistema que naturaliza desigualdades. A pobreza menstrual confirma essa ideia, pois afeta, principalmente, mulheres negras, pobres e periféricas — grupo historicamente marginalizado. A falta de absorventes e de saneamento básico se converte em um obstáculo direto à educação, à empregabilidade e à dignidade, reforçando um ciclo de exclusão social.

Além disso, a ausência de políticas públicas sólidas ao longo das décadas contribuiu para o agravamento do problema. Embora medidas como a distribuição de absorventes em escolas e unidades de saúde sejam avanços importantes, ainda são insuficientes diante do tamanho da demanda. Como lembra o sociólogo Pierre Bourdieu, desigualdades persistem quando o Estado não atua de forma efetiva para garantir igualdade de condições.

Diante disso, combater a pobreza menstrual significa ir além da oferta de absorventes: é assegurar direitos básicos, como saúde, educação e dignidade. É necessário ampliar políticas públicas, investir em saneamento básico e promover educação menstrual nas escolas. Assim, o Brasil dá passos concretos rumo a uma sociedade mais igualitária, em que nenhuma menina ou mulher tenha sua vida limitada por uma necessidade tão elementar, garantindo que a dignidade menstrual seja reconhecida como um direito humano inegociável.