A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil

Enviada em 14/09/2026

A Constituição Federal de 1988, no artigo 6°, estabelece a saúde como um direito fundamental a todos os cidadãos. Entretanto, tal afirmação não se concretiza totalmente, visto que milhares de mulheres que menstruam enfrentam dificuldades para adquirir produtos de higiene básica durante o período menstrual. Sob essa ótica, a pobreza menstrual é um reflexo da desigualdade social no Brasil, uma vez que uma parte da população sofre com a insuficiência económica e o poder público negligencia a garantia de condições adequadas de higiene e saúde.

Em primeira análise, a insuficiência económica colabora com a continuidade da pobreza menstrual na sociedade brasileira. Para famílias com pouca renda, a compra de absorventes pode ser complicada diante a prioridades como alimentação e moradia. O projeto Colabora, estima que sejam usados dez mil absorventes durante toda a idade fertil, totalizando um custo total de aproximadamente seis mil reais , demonstrando o impacto financeiro desse produto. Por isso, muitas meninas e mulheres recorrem a materiais inadequados como miolo de pão ou faltam às aulas e no trabalho por não possuírem absorventes. Assim, a pobreza menstrual ultrapassa o problema individual e torna-se um problema coletivo, comprovando a desigualdade existente no Brasil.

Em segunda análise, a negligência do governo em garantir condições adequadas de higiene agrava esse problema. Segundo o Portal Globo, mais de 1 milhão de estudantes não possuem papel higiênico nas escolas que frequentam e 320 mil frequentam colégios sem banheiros. Nesse contexto, a precariedade da infraestrutura escolar e a falta de itens básicos de higiene prejudicam a saúde e a permanência das estudantes no ambiente escolar. Logo, a ausência de condições adequadas contribui para a perpetuação da exclusão social.

Portanto, medidas devem ser tomadas a fim de democratizar o acesso à higiene menstrual e reduzir os impactos da desigualdade social no Brasil. Para isso, é necessário que o Governo Federal, em parceria com os Ministérios da Saúde e da Educação, amplie a distribuição gratuita de absorventes nas escolas públicas e unidades básicas de saúde, priorizando regiões mais vulneráveis, por meio do fortalecimento de programas de assistência menstrual.