A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil

Enviada em 25/09/2023

“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. A afirmação, atribuída à filósofa francesa Simone de Beauvoir, pode facilmente ser aplicada à pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil, já́ que mais escandalosa do que a ocorrência dessa problemática é o fato da população se habituar a essa realidade que atinge milhares de mulheres. Desse modo, agravam o quadro a disparidade econômica e a evasão escolar.

Nesse contexto, é evidente que a pobreza menstrual é um reflexo gritante da de-sigualdade social que persiste no Brasil, e a disparidade econômica desempenha um papel fundamental nesse cenário. Visto que dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que uma parcela significativa da população vive em condições de vulnerabilidade econômica, o que limita o acesso a produtos de higiene menstrual adequados. Dessa forma, as mulheres em situação de pobre-za enfrentam dificuldades adicionais, pois muitas vezes não podem arcar com os custos desses produtos, levando a soluções improvisadas e insalubres, como o uso de panos e papel, o que afeta sua saúde e dignidade.

Além disso, a evasão escolar é outro fator que cristaliza essa desigualdade na sociedade. Isso ocorre porque a vergonha, o constrangimento e a falta de recursos para lidar com a menstruação levam muitas meninas a perderem dias de aula, o que pode afetar negativamente seu desempenho acadêmico e suas perspectivas futuras. Prova disso é a enquete realizada pelo UNICEF em 2021 com 1,7 mil crianças e adolescentes que menstruam, na qual 62% afirmaram que já deixaram de ir à escola por causa da menstruação. Deste modo, cria-se um ciclo de desigualdade, pois a educação é um dos principais meios para escapar da pobreza.

Portanto, diante da situação exposta, o governo federal, através do Ministério da Saúde, deve lançar o programa “Ciclo do Cuidado”, que, por meio da distribuição de produtos de higiene menstrual, fortaleça o combate essa face da desigualdade.

Isso incluirá a disponibilização desses produtos em regiões carentes e escolas de todo o Brasil, garantindo que todas as meninas e mulheres tenham acesso a esse item essencial. Com isso, contribuirá para eliminar a disparidade econômica e re-duzir a evasão escolar relacionada a esse ciclo natural do sexo feminino.