A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil

Enviada em 25/09/2023

O documenário “Pandora’s Box” retrata a dificuldade de mulheres em darem continuidade aos seus estudos devido à dificuldade de acesso a absorventes, e os preconceitos impostos sobre a saúde menstrual. Para além das telas, observam-se semelhanças no que tange à questão sobre a pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil. Com isso observa-se a concretização de um cenário desafiador, em virtude da negligência governamental e a insuficiência de debates.

A principio, vale ressatar a inoperância estatal como uma das raízes do problema. O filósofo John Rawls alega que o Estado deve garantir os direitos imprescindíveis dos indivíduos, ou seja, é papel dos governantes assegurar boas condições de vida para os cidadãos. Nesse sentido, é perceptível que o Poder Público assume um papel omisso quanto à pauta, uma vez que, apesar de ser sua responsabilidade, não promove qualquer estimulo para que ocorra o fácil acesso à saúde menstrual. Desse modo, percebe-se que a situação é derivada da falha atuação do governo brasileiro.

Além disso, vale destacar a falta de discusões como uma das origens do imbróglio. Nessa perspectiva, o filósofo Habermas defende que a linguagem é uma verdadeira forma de ação, isto é, discutir sobre um assunto é um caminho para resolvê-lo. Sob essa perspectiva, é evidente que os estigmas e preconceitos em relação à saúde menstrual é uma pauta silenciada, posto que boa parte da população brasileira não tem conhecimento sobre o assunto, já que tais informações não são disseminadas pelos grandes meios de comunicação. Logo, é inegável que a escassez de discussões sobre a questão dificulta e atrasa sua resolução.

Portanto, urge que medidas estratégicas sejam tomadas para reverter esse cenário. Como solução o Poder Público, em papel de Ministério do Desenvolvimento Social, em parceira com o Ministério da Saúde, devem promover campanhas informátivas sobre a importância da saúde menstrual. Ademais, o Ministério da Saúde deve garantir também a distribuição gratuita de absorventes em postos de saúde, com o intuito de facilitar o acesso para todas as classes sociais. Assim, o Brasil caminhará para uma realidade mais igualitária.