A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil

Enviada em 25/09/2023

A série “O Conto da Aia’’ retrata um futuro distópico de uma sociedade fortemente machista onde as mulheres não possuem direitos nem mesmo sobre sua higiene intima. Fora da ficção, a pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil aproxima -de certa forma- a contemporaneidade das barbáries da série. Nesse sentido, a inércia estatal, bem como o arrogo da indústria, agravam esse cruel problema de saúde pública.

Sob esse viés, é prudente analisar como a ingerência do governo afeta essa problemática. Nesse contexto, a Constituição Federal estabelece que é dever do Estado garantir saúde e dignidade para os seus cidadãos. No entanto, o que se verifica na prática vai contra ao ordenado pela Magna Carta, porque a ausência de um projeto público que forneça gratuitamente absorventes e outros produtos de higiene intima para as mulheres mais pobres gera consequências graves na saúde dessas pessoas, como o aumento do número de doenças relacionadas ao sistema geniturinário feminino. Com isso, fica evidente a irresponsabilidade dos governantes com a população, bem como com a saúde pública.

Ademais, é crucial ressaltar que a ganancia das grandes empresas contribui para acentuar essa problemática. Nesse interim, o sociólogo Karl Marx versou que no capitalismo a indústria visa exclusivamente o lucro em detrimento do bem-estar dos trabalhadores. Análogo ao exposto por Marx é o elevado custo de produtos essenciais para o cuidado intimo feminino, como absorventes, sabonetes e até medicações, o que impossibilita a compra desses por parte da população mais pobre, afetando negativamente na saúde dessas pessoas. Assim, percebe-se a urgência medidas efetivas para enfrentar esse imbróglio.

Depreende-se, portanto, a essencialidade de combater a pobreza menstrual no Brasil. Sendo assim, urge que o Ministério da Saúde crie um programa de segurança menstrual, que por meio de parcerias público privadas irá fornecer de forma gratuita, absorventes, medicações e produtos de higiene em postos de saúdes estratégicos em que a população menos abastada será contemplada. Dessa forma, será possível garantir os preceitos constitucionais e fugir da distopia de O Conto da Aia.