A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil
Enviada em 25/09/2023
O lema “ordem e progresso”, ostentado no símbolo pátrio máximo, a Bandeira do Brasil, de origem positiva e preconizado por August Comte, prega o desenvolvimento social a partir do desenvolvimento científico, o que, no contexto hodierno, apresenta-se com uma antítese à realidade da sociedade brasileira; já que não se vê tecnologias (desenvolvimento científico) voltadas para a saúde menstrual (desenvolvimento social). Os atuais reflexos da desigualdade social refletidos na condição de vida das pessoas que menstruam, vê-se calcado e enraizado na inatividade estatal
Inicialmente nota-se a imobilidade do Poder Público como principal empecilho posicionado entre a sociedade brasileira e a extirpação das irradiaçõs da desigualdade social. De acordo com Tomas Hobbes, em seu livro “leviatã”, é de responsabilidade do Poder Público proporcionar e abrir caminho para o desenvolvimento social. Neste mesmo segmento, a realidade brasileira reflete o que diz o economista americano Murray Rothbard: “a classe política, em detrimento do interesso público, toma decisões calcadas em interesses próprios que garantam o retorno do capital político”. E, visto que a maior representatividade dos afetados pela pobreza mentrual são formados por minoras, as mulheres cis e os homens trans de baixa renda, suas necessidades são duplamente ignoradas pelo Poder Público.
É possível constatar que a realidade dispensada aqueles que necessitam de absorvente, não é de forma alguma compatível com o prometido no símbolo pátrio máximo e nem com a Constituição Federal de 1988, que, em seu artigo 5°, garante a dignidade da pessoa humana a todos os indivíduos posicionados em território nacional. Portanto, é inadmissível que tal realidade continue a perdurar.
De acordo com todo o supracitado, é notório que o Governo Federal deverá agir. O caminho mais rápido, já que a situação urge a ser solucionada, é o Estado, disponiblizar absorventes grátis através do SUS para a população com menor poder aquisitivo, e, através da Receita Federal, proporcionar incentivos fiscais às farmacias e mercados para que baixem o preço dos absorventes. E, pela polícia federal, fiscalizar os estabelecimentos. Assim, o preconizado será alcançado.