A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil
Enviada em 26/09/2023
Segundo o filósofo Thomas Hobbes, é dever do Estado garantir o bem-estar da população. Entretanto, com a persistência da pobreza menstrual, nota-se que o Governo Federal ainda poupa esforços para combater essa celeuma, uma vez que isso se torna um reflexo da desigualdade social no Brasil. Por isso, é importante investigar os impactos dessa omissão, ao abordar problemas como a deficiência escolar no que tange ao assunto e a falta de acesso a itens básicos de saúde feminina - como o absorvente - em comunidades segregadas economicamente.
Nesse contexto, é importante observar que a pobreza menstrual é um tema pouco discutido no cenário educacional. Acerca disso, de acordo com a professora e doutora em educação, Vera Maria Candau, o sistema de ensino está preso nos moldes do século XIX e não se atenta às inquietudes hodiernas. De maneira análoga à ideia da intelectual, muitas instituições de ensino focam no rendimento escolar e deixam em segundo plano a formação cidadã dos alunos. Logo, a negligência dos educandários colabora para que essa pauta sobre a precariedade da saúde feminina não seja tratada adequadamente e o problema perpetue.
Também, como consequência dessa alienação, percebe-se que muitas mulheres que residem em comunidades precárias, como as favelas, têm maior dificuldade financeira para custear itens básicos de saúde. Conforme o filósofo Heráclito de Éfeso, nada é permanente, exceto a mudança, ou seja, a sociedade está propensa às transformações. Porém, se o Estado não agir, essas mulheres vão continuar a viver nas mesmas condições de insalubridade.
Portanto, é evidente que a pobreza menstrual configura-se como um impasse que precisa ser resolvido para atenuar as barreiras da desigualdade social. Logo, cabe ao Ministério da Educação - órgão federal responsável pelo ensino no Brasil - incluir na grade escolar aulas e palestras para promover mudanças em relação ao descaso da sociedade quanto ao direito da mulher à saúde, por meio do investimento e incentivo governamental, o qual irá promover avanços positivos que atuarão diretamente na diminuição da imparcialidade das pessoas. Desse modo, a realidade aproximar-se-á do Estado idealizado por Thomas Hobbes.