A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil
Enviada em 27/09/2023
As mulheres ocuparam importante papel de destaque na ruptura do antigo mode- lo político que lhes negava participação política no século XIX, foram finalmente reconhecidos por suas contribuições científicas tais como Marie Curie no século XX, todavia ainda enfrentam graves contradições sociais na periferia capitalista, como o Brasil, na forma da pobreza menstrual. Diante deste cenário, a fim de soluciona-lo, é necessário debater a realidade econômica brasileira, estigmas sociais e a promoção de uma estrutura pública mais robusta.
Conforme relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF): “a dig- nidade humana passa também por assegurar o direito ao saneamento básico”, fato que se apresenta segundo pesquisa do IBGE em “menos de metade dos domicílios brasileiros”, ou seja 130 milhões sofrem sem acesso a rede de tratamento de esgoto, e dentre estes, especialmente meninas e mulheres. Como disposto pela UNICEF:“têm sua dignidade desrespeitada, e sofrem infecções retendo urina e impossibilitadas de acesso a higiene.
Consequentemente, é de se questionar o acesso financeiro - ou a falta dele - das famílias brasileiras. Segundo o IBGE, 35% dos brasileiros recebem até um salário mínimo e 70% até dois.” Diante deste cenário de aumento real insignificante dos salários, a realidade monetária dos domicílios é comprometida, e a compra de absorventes e outros itens básicos é negado as jovens, meninas e mulheres, que ainda recebem até 22% a menos que os homens, tornando-as dependentes de uma realidade brasileira patriarcal.
Portanto, é necessário conscientizar, acolher e integrar estas mulheres a redes de apoio comunitário e exigir respostas. Para tanto, o Poder Executivo - na figura dos Ministros da Infraestrutura e Propaganda - aliados a Coletivos Classistas devem promover a Construção de Centros de Apoio a Mulher e de uma campanha de con-
scientização pública acerca da quebra de “taboos”, por meio das redes de rádio, TV, e redes sociais com a finalidade de desmistificar preconceitos acerca da tratativa da menstruação, oferecer suporte e educação comunitária acerca do tema e reivindicar a médio e longo prazo uma infraestrutura pública mais inclusiva.