A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil

Enviada em 27/09/2023

A constituição federal, concebida em 1988, durante o período de redemocratização, promete assegurar os direitos de todos os cidadãos brasileiros.No entanto, apesar da garantia constitucional, nota-se que a falta de recursos para adquirir material higiênico ligado a menstruação se configura como uma falha no princípio da isonomia, pois o acesso a itens básicos de saúde da população feminina acaba sendo violado.Portanto, percebe-se que a pobreza menstrual possui raízes amargas motivadas pela falta de acessso da população mais carente aos itens de higiene ligados ao ciclo menstrual.

Em princípio, destaca-se o preconceito gerado pela desinformação como uma das causas do problema. Segundo o relatório da UNFPA/UNICEF(2021), a sociedade brasileira ainda está cercada de tabus e mitos que expressam misogenia e acabam contribuindo para uma conotação patológica e preconceituosa para a menstruação.Logo a falta de acesso e divulgação de informações acabam por tornar o debate da pobreza menstrual ainda mais difícil.

Ademais, verifica-se que um dos motivos do agravamento da pobreza menstrual é a falta de uma rede de infraestrutura funcional que consiga ajudar na distribuição dos itens de higiene menstrual de forma efetiva para a população feminina, principalmente aquelas que estão em situação de vulnerabilidade e não possuem acesso a serviços de saneamento básico.

Infere-se,portanto, a necessidade de combater os problemas enfrentados pela desinformação e pela dificuldade de acesso aos materiais de higiene menstrual.Para isso é necessário que o Ministério do Desenvolvimento Social(MDS) em parceria com o Ministério das Mulheres criem pontos de distribuição e doação de materiais básicos de higiene menstrual,enquanto o Ministério das Comunicações(MCom) produza campanhas televisivas para conscientização e divulgação dos pontos de distribuição criados,consequentemente,amenizando a pobreza menstrual como um problema social no Brasil.