A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil

Enviada em 27/09/2023

A Constituição Federal de 1988 foi um marco na história brasileira, pois foi a primeira vez que o País teve uma constituição que tem como base o respeito aos direitos das mulheres. No entanto, esse avanço se mostrou não ser o bastante, visto que uma grande parte das brasileiras ainda não tem acesso aos seus direitos mais básicos, como acesso a absorventes e papel higiênico no período mentrual. A solução de tal problemática se mostra essencial para a garantia da cidadania de todos, porém tem como estorvo um desenvolvimento brasileiro desigual e um descaso da classe política.

Nesse sentido, no livro “A Elite do Atraso”, o autor brasileiro Jessé Souza discorre sobre como o desenvolvimento socioeconômico brasileiro foi guiado por uma elite que apenas se interessava pelos lucros rápidos e todos os outros fatores ficavam à mercê desse. Indubitavelmente, esse processo levou a um cenário onde os direitos femininos são secundários, se tornando um privilégio e não um direito básico, dificultando assim a prática real do direito, como observado pelo mesmo autor no livro “Subcidadania brasileira”.

Ademais, o cenário apontado por Jessé também se refletiu na formação política brasileira, sendo exemplo o ex-Presidente da república, Jair Bolsonaro, que teve como uma de suas principais pautas de eleição a luta contra a prática de direitos humanos no Brasil. Consequentemente, esse cenário leva a um agravamento das fragilidades sociais dessas mulheres e um apagamento de seus direitos.

Em suma, essa problemática exige uma ação robusta do estado e da sociedade civil. A união, através do Ministério da Cidadania, em parceria com o Ministério da Saúde, deve criar um plano nacional de luta contra a pobreza menstrual, que utilize os dados do Sistema Único de Saúde para destinar verbas e recursos humanos às zonas de maior fragilidade. De maneira conjunta, os representantes da sociedade civil deve se organizar e criar eventos e campanhas de concientização sobre a pobreza menstrual e suas consequências, a fim de que essa população forme, nas futuras gerações, uma classe politica que não lute contra os direitos do próprio povo e faça valer os ideias que os constituintes tiveram após a redemocratizaçao.