A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil
Enviada em 27/09/2023
Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) é um apelo para que todas as pessoas possam desfrutar de uma vida próspera. Esses, por sua vez, contêm a Redução das Desigualdades e a Igualdade de Gênero em seu rol principal de trabalho com os países. Contudo, o Brasil parece estar na contra mão dessas metas, visto que uma em cada quatro mulheres brasi-leiras não conseguem, ao menos, menstruar sem estarem expostas à vulnerabilida-des socioeconômicas. Por isso, o Estado deve intensificar suas ações no que tange uma agenda de proteção e valorização de dignidade menstrual, a qual combata a desinformação e amplie o alcance de políticas de combate a pobreza menstrual.
Em primeira análise, é importante reconhecer o empenho do Governo Federal na promoção de direitos básicos para mulheres. O pacote de ações, lançado em março deste ano pelo poder executivo, traz pontos pertinentes para os ODS no
país, como a distribuição de absorventes pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Dessa forma, o Estado promove avanços significativos para a dignidade menstrual, mas ainda existem outros desafios para a cobertura de todas as mulheres por essa polí-tica. Pois, ainda que o SUS tenha abrangência em todo território nacional, não são todas as pessoas que têm acesso à informação sobre a nova política ou mesmo à possibilidade de chegar a um serviço de saúde que possua absorventes, pois mui-tas vivem em áreas remotas, sem unidades de saúde ou alcance de notícias.
Ademais, é fundamental que o Executivo promova um plano para instrução da população acerca da importância da menstruação. Isso porque o conhecimento sobre o assunto ampliará o alcance da dignidade menstrual, umas vez que apenas se valoriza aquilo que se conhece e respeita. Tendo em vista o tabu que permeia a temática e impede mulheres de, sequer, falarem sobre isso, é urgente reverter o entrave para, de fato, promover um ciclo seguro para todas.
Portanto, os Ministérios da Saúde, Educação e Mulheres devem compor um pacto de conscientização da população através da inclusão de programas nas escolas e nos veículos de mídia que abordem a importância da menstruação. Ainda, esses devem fazer um levantamento dos locais onde a política de distribuição de absorventes não está chegando e ampliar o alcance desta.