A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil

Enviada em 27/09/2023

O livro “Cidadão de papel” do escritor brasileiro Gilberto Dimenstein, faz uma crítica a grande extensão da constituição federal e sua riqueza de direitos com o que é garantido de fato, em uma população que convive na miséria e à margem da sociedade. Nesse sentido, a pobreza mestrual é um reflexo da desigualdade social e da negligência à dignidade da mulher, haja vista, que, o acesso a uma higienização adequada é indispensável. Perante isso, é notório que a educação lacunar, junto a omissão estatal, são problemáticas que envolvem a temática.

Diante desse cenário, é essencial enfatizar que a escassez educacional dificulta que a população tenha acesso ao dinheiro. Nessa lógica, o pedagogo brasileiro Paulo Freyre, criou a ideia de “Educação libertadora”, em que esta é a única capaz de retirar o ser humano da “gaiola da ignorância”. Com isso, a falta de oportunidades implica diretamente na desigualdade social e no agravamento da pobreza menstrual no Brasil, pois a restrição à obtenção da moeda de troca, coloca mulheres em situações anti-higiênicas e de penúria. Desse modo, infelizmente a crítica de Dimenstein é uma triste realidade nacional.

Outrossim, cabe destacar que a omissão estatal causa a perpetuação da pobreza mestrual. Nessa perspectiva, o filosofo inglês John Lock, estabeleceu o “Contrato social” em que o Estado- órgão de maior hierarquia- possui o dever de garantir os direitos básicos da população. Entretanto, o raso papel desempenhado por essa instituição é responsável pela continuidade das situações de mazelas a muheres que não possuem seus princípios básicos respeitados, de modo a obriga-las a se exporem a condições sub-humanas. Dessa forma, o ser humano convive de fato diante em uma “Gaiola da ignorância” como foi proposto por Freyre.

Em suma, discutir acerca da pobreza mestrual como reflexo da desigualdade social no Brasil é fundamental. Logo, o Estado- administrador público- deve facilitar o acesso da população feminina aos itens higiênicos indispensáveis, por meio de políticas públicas que visem a distribuição de tais utesílios, a fim de garantir um direito fundamental previsto na constituição federal. Dessa maneira, a cumprir o “Contrato social” e proporcionar uma vida digna aos brasileiros com seus princípios constitucionais respeitados.