A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil

Enviada em 04/10/2023

Aldous Huxley defende: “Os fatos não deixam de existir só porque são ignorados.” Tal perspectiva é verificada na desigualdade social no que tange a pobreza menstrual no Brasil, que carece de atenção por se tratar de um processo natural do corpo humano mas que ainda é muito mitificado. Nesse contexto, percebe-se a consolidação de um grave problema em virtude da falta de informações e a negligência estatal.

Nesse viés, em primeiro plano é preciso atentar para a falta de conhecimento presente na questão; Durkheim afirma que “o indivíduo só poderá agir na medida em que conhecer o contexto que está inserido”. Não obstante, falar sobre menstruação ainda é um tabú para muitas pessoas, que acaba levando desinformação, ou a falta dela, para inúmeras meninas. Nesse sentido, a falta de diálogo faz com que essas meninas sintam vergonha de estarem menstruadas, o que leva a evasão escolar nesse período do ciclo, que acaba por prejudicar seu rendimento escolar. Assim, é preciso ampla discussão sobre o tema para superá-lo.

Além disso, a negligência do estado intensifica a gravidade do problema; de acordo com a ONU, os tributos acrescidos à absorventes chegam a quase 35%. Hobbes defende que o Estado é responsável por garantir o bem-estar dos cidadãos, mas isso não se aplica a itens básicos de saúde e higiene bem como o absorvente que, por ter um alto valor agregado e ser de uso periódico, muitas mulheres em vulnerabilidade não o compram porque sequer ter o que comer. Dessa forma, quando estão menstruadas buscam alternativas inviáveis que comprometem o seu bem-estar e colocam sua vida em risco. Assim, o Estado precisa sair da inércia em que se encontra para garantir saúde e bem-estar a essas mulheres.

Portanto, é imperativo agir sobre as questões que impactam o problema. Diante disso, o Ministério da Saúde deve, em parceria com as escolas, promover aulas educativas junto com ginecologistas, a fim de esclarecer dúvidas, desmistificar e levar conhecimento sobre o ciclo menstrual. Paralelo a isso, o governo federal deve, através de verbas, fornecer absorventes a todas as escolas e zerar o imposto dos mesmos por se tratar de item de saúde pública. Dessa forma, os fatos não serão ignorados e poderão deixar de existir.