A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil
Enviada em 30/09/2023
Na obra “A República”, o filósofo Platão idealiza uma cidade livre de desordens, em que os cidadãos trabalham em conjunto para superar os obstáculos. Todavia, ao se fitar a atual realidade brasileira, percebe-se o oposto dos ideais platônicos, uma vez que a pobreza menstrual, que advém da desigualdade existente, representa um empecilho para a ordem social. Sendo assim, tem-se a negligência governamental como desafio no combate desse problema.
Sob esse viés, vale ressaltar a ausência de atuação estatal efetiva na resolução desse dilema. Nesse sentido, de acordo com o filósofo Tomás de Aquino, o Estado tem o dever de trabalhar a fim de garantir o bem-estar social. Contudo, a prática é distinta da teoria, já que não há ações práticas e eficazes para o fornecimento de produtos de higiene menstrual de forma gratuita para a população. Com isso, torna-se complexo uma família com baixa renda conseguir comprar absorventes, em um país que é destaque quando o assunto é desigualdade social e a prioridade é, ao menos, adquirir itens de uma cesta básica de alimentação.
Por conseguinte, essa carência de medidas resolutivas gera efeitos sociais significativos. Nesse contexto, conforme uma pesquisa divulgada pela Revista Galileu, é comum que pessoas sem acesso à absorventes recorram a retalhos de pano, roupas, miolo de pão e jornais para conter o fluxo menstrual. Desse modo, nota-se a complexidade dos impactos causados, como por exemplo, a vulnerabilidade a doenças pela falta da higienização adequada, como infecções urinárias, e os prejuízos no desempenho escolar, por causa das faltas na escola durante a menstruação.
Depreende-se, portanto, que o Ministério da Saúde, órgão responsável pela proteção e recuperação da saúde da população, deve trabalhar na garantia de um sistema de saúde de qualidade, por meio da implementação de políticas públicas para o fornecimento gratuito de itens de higiene em postos de saúde, a fim de que sejam mitigadas, por exemplo, as doenças e a evasão escolar, ques são alguns dos efeitos causados pela pobreza menstrual. Com essa ação, os brasileiros poderão chegar perto das convicções de Platão.