A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil
Enviada em 02/10/2023
Na obra “O Cidadão de Papel”, o jornalista Gilberto Dimenstein critica o sistema de leis do Brasil, o qual possui uma boa elaboração, porém carece de efetividade na prática. Sob esse viés, a crítica da obra sobredita se aplica no contexto nacional quanto a pobreza menstrual, pois é uma questão a ser solucionada. Logo, é necessário medidas para solucionar o impasse, que é motivado pela carência de discussões sobre a problemática e a inoperância estatal.
Em primeira instância, constata-se que a carência de discussões acerca da pobreza menstrual é um dos motivadores do impasse. Nesse sentido, segundo o sociólogo Karl Marx, em sua teoria do “silenciamento dos Discursos”, alguns temas são omitidos na sociedade a fim de se ocultar as mazelas sociais. Sob essa perspectiva, na sociedade brasileira contemporânea, a visão do autor pode ser aplicada quanto a falta de recursos necessários durante o período menstrual de tantas brasileiras, porquanto o assunto é pouco debatido no âmbito midiático, o que acarreta a manutenção do problema no país e prejudicando a vida de milhares de mulheres que tem suas vidas afetadas pela negligência e falta de sensibilidade diante de tal problema social. Desse modo, devido à carência de visibilidade dada à questão, o impasse se mantém presente no Brasil.
Ademais, o desserviço estatal é uma das causas da perpetuação da pobreza menstrual no país. Nesse contexto, o filósofo Zygmund Bauman criou a expressão “Instituições Zumbis”, a qual diz respeito ao fato de que algumas instituições, como o Estado, estão perdendo a sua função social. Nessa ótica, tal teoria é comprovada no contexto brasileiro, uma vez que o Poder Público não tem investido no tema, o que acarreta a falta de políticas públicas para a resolução do impasse.
Portanto, faz-se necessário ações para conter a problemática que assola tantas mulheres no Brasil, a pobreza menstrual. Para tanto, o Governo Federal, cuja função é manter a harmonia social, por meio do Ministério da Mulher, deve promover políticas públicas para distribuir absorventes e outros recursos imprescindíveis durante o período menstrual. Além disso, cabe à mídia,por meio das redes sociais, promover campanhas de conscientização sobre a problemática, além de incentivar a doação de recursos. Feito isso,a realidade destoará da obra de Dimenstein