A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil
Enviada em 09/10/2023
O documentário da Netflix “Absorvendo o tabu” mostra que o estigma da menstruação persiste no cenário social. Fora da ficção, tal fato se confirma, já que no Brasil a pobreza menstrual configura-se como reflexo da desigualdade. Nesse sentido, é preciso reconhecer que esse contexto de vulnerabilidade trata-se da divergência sociopolítica do Poder Público, e além disso é nítido também, que o abismo social é um agravante para o problema.
Em primeira análise, é fato que o descaso do Poder Público em não ampliar políticas públicas que auxiliem mulheres durante seu período menstrual apresenta-se como divergência para um cenário democrático. Sob essa ótica, de acordo com dados da Unicef cerca de 713 meninas não possuem acesso a banheiro e chuveiro em casa. Dessa maneira, para o pensador Gilberto Dimenstein em seu livro Cidadãos de Papel as leis são letras mortas. Nessa conjuntura, é preciso propor a limitação dessa realidade.
Ademais, vale ressaltar que a desiguldade social é um reflexo para o agravamento dos desafios no combate a pobreza menstrual. Nesse viés, nota-se a diferença, nos grandes centros urbanos, de bairros “nobres” em assimetria com as favelas. Isso é ilustrado na minissérie “Cidade dos Homens” que mostra a realidade da população carente que vive nos morros e tem dificuldade em possuir serviços básicos.Desse modo, muitas mulheres inseridas nesse panorama não conseguem comprar os itens descartáveis necessários, tanto para si quanto para suas filhas, causando, muitas vezes, o constrangimento e a pressão psicológica dessas quando não conseguem conter o sangramento e este fica visível em suas roupas fazendo com que outros caçoem do acontecido.
Diante o exposto, fica evidente que a resolução do problema se dará a partir de um plano de ação mais eficiente. Logo, o governo- orgão responsável pela execução de políticas públicas, deve criar leis que amparem as mulheres, através de programas que realizem a distribuição de absorventes e itens de higiene, isso deve ocorrer em postos de saúde e escolas. Além disso, a sociedade civil deve realizar campanhas, através da mídia, que informem a população sobre esses projetos, com o objetivo de sanar esse contexto de vulnerabilidade.