A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil

Enviada em 25/10/2023

Na obra ‘‘Quarto de Despejo’‘da autora Carolina Maria de Jesus, é retratado o dia a dia de uma mulher da comunidade e as condições insalubres nas quais vive. Por exemplo, utilizar pedaços de papel como absorvente. De certo, esta é uma situação rotineira na vida feminina de baixa renda. É notório que, a falta de acesso a itens de higiêne feminina limita as obrigações rotineiras, como ir trabalhar e frequentar a escola. Assim, muitas garotas optam por faltar ou utilizam meios para estancar o fluxo menstrual de maneira irresponsável.

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), uma em cada dez meni-nas perdem aula quando estão no período menstrual por não terem condições de comprar absorventes. Deste modo, amplia mais as dificuldades de cursar o ano le-tivo, consequentemente crescendo a evasão escolar. De fato, sem as necessidades mínimas de higiêne, adolescentes optam por faltar aula, dificultando no desenvolvi-mento educacional das mesmas. Analogamente a isto, muitas dessas estudantes recorrem a meios para interromper a menstruação, para que assim consigam reali-zar seus afazeres. Entretanto, esses meios podem ser prejudiciais quando não administrados corretamente.

Sabe-se que o uso de medicamentos, como anticoncepcionais, melhoram o bem estar. Contudo, o uso exacerbado desse fármaco sem acompanhamento médico é prejudicial, principalmente quando o útero ainda esta em desenvolvimento. Porém, muitas garotas utilizam pílulas contraceptivas para pular o período menstrual, prin-cipalmente mulheres de baixa renda que não têm condições financeiras necessári-as para constantemente comprar absorventes. Como dizia o filósofo da antiguida-de, Platão, ‘‘o importante não é viver, mas viver bem’’.

Em suma, a pobreza menstrual é reflexo da inacessibilidade a itens de higiêne básica que influenciam ao afastamentos de obrigações sociais e uso de fármacos indevidamente. De certo, o Ministério da Saúde em conjunto com o Ministério da Economia deveriam disponibilizar coletores menstruais gratuitos em postos de saúde. Além disso, com a participação da mídia, compartilharem informações so-bre o uso de contraceptivos em todos os meios necessários. Para que assim mulhe-res possam estudar e trabalhar com dignidade.