A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil

Enviada em 03/10/2023

Na obra ´Ensaio sobre a cegueira`, o escritor José Saramago descreve uma cidade na qual, paulatinamente, as pessoas vão ficando cegas. Na trama, o autor usa essa alegoria para criticar a falta de cooperação e altruísmo da sociedade contemporânea, em que os indivíduos se preocupam cada vez menos com o bem-estar coletivo. Ao transpor a ficção e analisar a atual conjuntura brasileira, percebe-se que a obra exemplifica a realidade, uma vez que a pobreza menstrual seja um reflexo a desigualdade social no país. Esse lastimável panorama é calcado pela inoperância estatal e tem como consequência riscos a saúde dessas mulheres.

Diante desse cenário, nota-se negligência estatal como fator agravante da pobreza menstrual no Brasil. Na Constituição Federal, no artigo 6, prevê o direito a saúde e o bem-estar. Todavia, no contexto hodierno, a passividade do Estado distância as mulheres dos direitos constitucionais garantidos, à medida que a falta de recurso afeta diretamente o dia a dia de cada uma. Dessa forma, enquanto a máquina pública megligenciar sua responsabilidades, o problema pendurará e os direitos dos cidadãos continuarão a ser mutilados.

Ressalta-se, ademais, que os riscos a saúde e o desenvolvimento das mulheres se sobressaem nessa temática - uma vez que, a pobreza menstrual interfira em diversos aspectos diários na vida de jovens e adultas. Segundo dados da ONU, estimasse que 500 milhões de pessoas vivencia a situação, muitas vezes tendo que usar de materias impróprios para conter o fluxo menstrual. Diante de tal exposto, observamos como é grande a proporção dessa problemática e como o uso de objetos inadequados podem trazer problemas de saúde a essa população. A luz disso, mantém-se o quadro de ausência de ações sociais efetivas no que tange à reversão desse contexto.

Em suma, denota-se a urgência de propostas governamentais que alterem esse cenário. Portanto, cabe ao Estado, mas designadamente ao Ministério da Saúde prover recursos necessários as mulheres, disponibilizando-os em unidades publicas e, o Poder Executivo Federal dispor um auxílio para melhorar a qualidade de vida dessa parte da sociedade que é desprovida de direitos mínimos.