A pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social no Brasil

Enviada em 04/10/2023

John Locke, filósofo inglês, destaca que é dever do Estado assegurar os direitos e bem-estar da população. Todavia, em virtude da pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social ser uma realidade na sociedade brasileira, é válido reconhecer como o Poder Público não atua de modo efetivo e, pior, não exerce seu papel social conforme os ideais de Locke. Nessa lógica, é possível analisar a negligência estatal e a falta de representatividade como impulsionadores do problema.

Em primeira análise, percebe-se que a ausência governamental fomenta a permanência do entrave na sociedade, dado que o Estado não disponibiliza os produtos de higiene necessários para o período menstrual, favorecendo que as mulheres sem condições de acesso a esses itens desenvolvam doenças por falta de higiene. Essa conjuratura, segundo as ideias de John Locke, configura-se como uma violação do “Contrato Social”, já que o governo não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como à saúde, o que infelizmente é evidente no país.

Além disso, vale ressaltar a falta de representatividade como fator que dificulta a atenuação do empecilho, visto que não há manifestação da sociedade em relação a desigualdade social, contribuindo para o aumento do número de mulheres que não tem acesso aos itens básicos da higiene menstrual. Nessa ótica, ao destacar a ideologia do filósofo Platão, especificamente sobre o uso da razão para combater os problemas socias, nota-se que essa conduta não é realizada pelos brasileiros, sobretudo, quando o assunto é pobreza menstrual como reflexo da desigualdade social. Isso, porque, lamentavelmente, o indivíduo não questiona a realidade na qual está inserido, tendendo a aceitar essa desigualdade.

Urge, portanto, a adoção de medidas para combater o problema. Nesse sentido, o Poder Executivo deve desenvolver projetos, por meio de campanhas para distribuição de absoventes e coletores menstruais. Desse modo, favorecendo o acesso a itens de higiene, para minimizar a pobreza menstrual. Feito isso, ao presenciar um Estado efetivo e ativo, a ideologia de Locke poderá, certamente, ser cumprida e notada no país.